domingo, 19 de junho de 2011

Drama, paixão e morte: o pior dia da história do River visto da torcida


mariano pavone river plate (Foto: EFE)Parecia dia de decisão. Estádio Monumental de Nuñez lotado para o jogo entre o anfitrião River Plate e o Lanús pela última rodada do Torneio Clausura do Campeonato Argentino. Mas não era uma final. Os visitantes apenas cumpriam tabela, enquanto os donos da casa precisavam de uma vitória para evitar a “promoción”, a temida repescagem contra uma equipe da Segundona para decidir quem seguiria na elite.

Os hinchas (torcedores) do River, entretanto, pouco se importavam com o caráter um tanto deprimente do duelo e, desde antes do apito final, apoiavam a equipe de maneira quase cega.

- Vamos, vamos milionários (apelido do River). Esta tarde, temos que ganhar – cantavam em uníssono os torcedores.

Os hinchas, por sinal, não vaiaram nenhum atleta quando seus nomes foram anunciados pelo sistema de som do estádio. O veterano Matías Almeyda, o goleiro Carrizo e o zagueiro Ferrari foram os mais aplaudidos. Por outro lado, o técnico Juan José Lopez escutou alguns pitos. O motivo?

- Ele não escalou Buenanotte – explicou um torcedor à reportagem do GLOBOESPORTE.COM, que estava no meio da galera, no setor centenário.

Torcida do River Plate no Monumental de Nunez (Foto: Marcos Felipe/GLOBOESPORTE.COM)

Por sinal, Buenanotte, já vendido ao Málaga, foi ovacionado por todo o estádio antes da partida e recebeu uma placa da diretoria pelos serviços prestados ao clube.

Morte na arquibancada

Com a bola rolando, um misto de nervosismo e esperança movia as pessoas. Aplausos para um desarme de Almeyda. Vaias para o árbitro por não dar cartão amarelo ao adversário. Palavrões lamentando um gol perdido.

Nesse momento, quando o placar ainda marcava 0 a 0, policiais abrem caminho no meio da torcida. Logo atrás, paramédicos faziam massagem cardíaca em um idoso que era levado para fora do estádio em uma maca. Mas antes de chegar ao hospital, o senhor de 68 anos, torcedor do River, faleceu vítima de um infarto.

Depois, mais drama. Após bela troca de passes, Romero marca para o Lanús aos 30 do primeiro tempo. Silêncio? Nem tanto. Os cerca de mil torcedores rivais vibravam e imitavam galinhas, como não gostam de serem chamados os hinchas do River.

Torcida do River Plate no Monumental de Nunez (Foto: Marcos Felipe/GLOBOESPORTE.COM)

Após alguns minutos de lamentações, a torcida do River voltou a entoar cânticos de apoio que se transformaram em gritos de comemoração com o gol de Lamella logo aos dois do segundo tempo.

- Promoción é a p#$% que o pariu – berrou um torcedor, esperando que o River virasse a partida...

O que acabou não acontecendo. E, para piorar, Díaz, aos 48, anotou 2 a 1 para o Lanús. Após o encerramento da partida, a incredulidade com o resultado.

- Só sinto amargura. Não consigo acreditar – murmurou um torcedor, pouco se importando com as gozações dos rivais do Lanús e com a dificuldade para deixar as arquibancadas lotadas do Monumental.

- É o pior dia de nossa história – sentenciou ele, sem lembrar que a situação pode piorar caso o River não supere o Belgrano, quarto colocado da Segundona, na promoción. O primeiro jogo entre as duas equipes está marcado para a próxima quarta-feira, em Córdoba.

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