segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Review: F1 2013 mescla nostalgia com gráficos de ponta



F1 2013 é o mais recente título da franquia oficial da principal categoria do automobilismo mundial. O game busca ampliar o seu público com elementos nostálgicos, como a presença de carros e pilotos que fizeram a história do esporte, aliados a uma jogabilidade cada vez mais próxima do real. O game será lançado no Brasil no dia 10 de outubro para PS3, Xbox 360 e PS3. Nos EUA ele custará 59 dólares (cerca de R$ 130), enquanto aqui ainda não há um preço divulgado. Confira.

F1 2013 - Nigel Mansell em sua histórica Willians  (Foto: Divulgação) 
F1 2013 (Foto: Divulgação)
 
Modo F1 Classics é uma deliciosa viagem no tempo

A Codemasters mostrou que ouve seus fãs e realizou um dos pedidos mais antigos para a franquia: a presença de carros e pilotos clássicos. Dessa forma, F1 2013 conta com o modo F1 Classics que traz um variado leque de opções para que os jogadores possam desfrutar do controle de máquinas como a Ferrari F1 87/88C, pilotada por Gerhard Berger.
Além dos tradicionais modos Grande Prêmio, Tomada de Tempo e Contra o Relógio, F1 Classics também conta com o Modo de Cenários. Eles consistem em apresentar situações adversas as quais o jogador precisa "se virar" para resolver, tais como ultrapassar nada menos que Alain Prost na primeira volta, ou as Ferraris de Berger e Schumacher depois de cumprir uma punição com um Drive Through (aquela passagem pelos boxes que só serve para atrasar a vida dos corredores...).
No geral, a forma com que tudo é apresentado encanta. A parte visual é composta pelos mínimos detalhes, como as zebras desgastadas e grama por todos os lados dos circuitos - exatamente como eram apresentadas nas pistas da época. A própria luminosidade do modo remete uma viagem no tempo, assim como os indicadores do carro e a própria telemetria - representada pela clássica fonte amarela na tela.
Para completar, os carros também são mais complexos do que os atuais. Se já é difícil controlá-los com todas as opções automáticas, imagine sem elas. Essa é a sensação que F1 2013 apresenta com maestria, mostrando o porquê de aqueles antigos pilotos serem considerados até hoje como verdadeiras lendas do esporte.
F1 2013 - Nigel Mansell em sua histórica Willians  (Foto: Divulgação)F1 2013 - Nigel Mansell em sua histórica Willians (Foto: Divulgação)
 
Quem disse que pilotar um F1 era fácil?

A jogabilidade de F1 2013 evoluiu. Bom para alguns e ruins para outros. Isso porque mesmo com todas as opções no automático, como freios, direção hidráulica, tração, etc., ainda sim não é fácil guiar seu carro. É preciso saber usar o freio na hora de realizar curvas mais fechadas, ou tirar o pé do acelerador quando seu carro começa a sair do controle em curvas mais rápidas.
Para os amantes da categoria, essa complexidade fica mais próxima do real e exige cada vez mais atenção e cautela, pois qualquer descuido pode significar o fim da partida. Mas para quem busca apenas uma forma de se divertir, tantas dificuldades em guiar o veículo podem ser um ponto negativo.
Na tentativa de balancear essa complexidade, o game conta com o sistema de replay. Ele faz com que o jogador volte alguns segundos e repita um determinado trajeto. O problema é que esses replays são limitados a quatro por corrida, sendo que o mínimo para uma prova do modo carreira, por exemplo, é de 10% das voltas originais - algo em torno de 10 a 15 voltas.
F1 2013 (Foto: Divulgação) 
F1 2013 (Foto: Divulgação)
 
Pouca evolução nos principais modos de jogo

Parece que os esforços da Codemaster foram voltados para o modo F1 Classics, já que praticamente todos os outros modos continuam iguais. Até a forma como o game inicia, empurrando os jogadores para uma série de tutoriais, é semelhante a F1 2012. A pequena diferença é que eles mostram algumas novas atividades de treinamento, principalmente no que diz respeito às novas regras.
A grande novidade é a possibilidade de salvar a sua jogada no meio de uma corrida. Ideal para aqueles que buscam o realismo ao extremo e optam por disputar uma corrida inteira com o mesmo tempo de duração e números de voltas do GP original.
Já o Modo de Cenários ganhou uma boa leva de novas atividades. Divididas em graus de dificuldade, o game proporciona desafios que vão desde superar um adversário faltando poucas voltas para o final, como tentar guiar em pista complexas onde o asfalto está completamente encharcado e escorregadio.
No modo multiplayer online, além das partidas rápidas ou provas personalizadas, há ainda a opção de um campeonato cooperado com um amigo, onde devem agir em equipe em busca do título mundial. Também há um placar de líderes que mostra o seu desempenho perante seus outros amigos na rede online.
F1 2013 (Foto: Divulgação) 
F1 2013 (Foto: Divulgação)
 
Visual encantador, mas ainda sem pódios

Os gráficos de F1 2013 evoluíram com o jogo. É difícil não se encantar com cenários tão bem detalhados, como os circuitos de Mônaco, Cingapura e Emirados Árabes. O capricho começa pelos elementos externos como arquibancadas e outras construções ao redor. Algumas particularidades também estão no game, como as marcas no asfalto e o desgaste do terreno em determinados pontos. Todos bem fiéis aos circuitos de verdade.
As máquinas que compõem o circo da Fórmula 1 estão ainda mais encantadoras. Além de um brilho reforçado na lataria, todos os mínimos detalhes foram postos no game para deixar tudo ainda mais real. Destaque para os cockpits que mostram o volante e a infinidade de botões que presentes no complexo painel de um F1.
Já as animações continuam bem limitadas. E se a Codemasters atendeu o pedido dos fãs e colocou pilotos históricos no game, ela ainda precisa realizar outro desejo antigo: a presença dos pódios. A festa da vitória ainda é algo inexistente no game, limitando-se a uma comemoração nada empolgante do piloto e membros da sua equipe.
F1 2013 (Foto: Divulgação) 
F1 2013 (Foto: Divulgação)
 
Conclusão

F1 2013 é o jogo perfeito para os amantes de automobilismo. O modo GP Classic é o grande atrativo do game e coloca lado a lado carros e pilotos históricos da Formula 1, em contrapartida os outros modos do game receberam pouquíssimas novidades. O visual ajuda a recriar fielmente os anos de ouro da categoria, já a jogabilidade está mais próxima do real, tornando-a ainda mais complexa para os menos experientes com o game.

Fotos do elenco de ‘The Walking Dead’ – 4ª Temporada







quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Estudo inédito do Ministério da Justiça mostra que cracolândias se espalham por todo o Rio de Janeiro


Para os que defendem a maconha, leiam o depoimento abaixo, o rapaz começou com a maconha, e depois foi parar no crack, por isso eu digo e repito, diga sempre não as drogas. 

 
Extra

Um estudo divulgado nesta quinta-feira pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardoza, revelou o mapa das cracolândias no Rio de Janeiro. O cenário, traçado após um amplo estudo conduzido pela Fiocruz, aponta para a disseminação do consumo da droga por praticamente todo o município, com cenas de uso registradas nas zonas Oeste, Norte, Centro e Copacabana. O levantamento ainda mostra locais de alto consumo de crack no Jacarezinho, favela na Zona Norte da cidade pacificada em 2012 - isso ocorre porque os dados foram coletados no primeiro semestre de 2011, antes da chegada da UPP a essa comunidade.

As pesquisas “Estimativa do número de usuários de crack e/ou similares nas capitais do país” e “Perfil dos usuários de crack e/ou similares no Brasil” foram apresentadas nesta manhã, no Palácio da Justiça, em Brasília. O estudo, encomendado pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas (Senad/MJ) à Fiocruz, é o maior e mais completo levantamento feito sobre o assunto no mundo. A ideia é que esses números sirvam de base para as políticas públicas que o governo federal, os estaduais e as prefeituras têm desenvolvido.



Os resultados mostram que a maioria dos usuários brasileiros são adultos jovens, com idade média em torno dos 30 anos - cerca de 50% têm idade de 18 a 30 anos. Constatou ainda que as crianças não são a maioria dos usuários - ao contrário do que muitos pensam. Do total de usuários, 78,7% são homens. A grande maioria é formada por pretos e pardos - nomenclatura adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apenas 20% dos usuários se declararam brancos.

O estudo estima que cerca de 370 mil pessoas sejam usuárias de “crack e/ou similares (pasta-base, merla e oxi)” nas 26 capitais do país e no Distrito Federal, o que corresponde a 35% dos consumidores de drogas ilícitas em geral.

Dos 370 mil usuários de crack e/ou similares, 14% são menores de idade, o que significa afirmar que cerca de 50 mil crianças e adolescentes fazendo uso dessas substâncias nas capitais.


Anderson dos Santos conta como o crack entrou em sua vida, aos 12 anos
Anderson dos Santos conta como o crack entrou em sua vida, aos 12 anos Foto: Paulo Nicolella/23.05.2013 / EXTRA
Anderson dos Santos tinha apenas 12 anos quando começou a fumar crack. Em maio, aos 18 anos, ele contou ao EXTRA que já havia perdido as contas do número de abrigos por que passou.

- Raul Seixas, Carioca, Antares - enumera ele. - Mas nunca fiquei muito tempo em nenhum. Prefiro a rua. Durmo em São Cristóvão, onde todos me conhecem.

Caçula de cinco irmãos, Anderson experimentou maconha aos 8 anos. O crack, conheceu quatro anos depois. Nessa época, já largara a escola no 3º ano e andava com traficantes da comunidade de Bárbara Corrêa, em Cabo Frio, na Região dos Lagos. Nunca trabalhou.

Desde os 16, Anderson já passou cinco vezes pela polícia por roubo e furto. Em todas, ficou cerca de um mês apreendido no Degase, na Ilha do Governador. Perguntado se sonha em largar as drogas e o crime e traçar um futuro diferente, o rapaz desconversa:

- Tia, já sou dessa vida há muito tempo.

Naquele dia, o menino havia ido ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) Itinerante, no Parque União. Tomou banho, ganhou lanche e aceitou dar entrevista. Após três minutos, nervoso, levantou e se despediu:
- Não consigo mais ficar aqui. Estou agoniado.

As mudanças climáticas batem à sua porta

Tempestade se aproxima da cidade de Niterói, no Rio: eventos extremos alimentados pelo fenômeno das ilhas de calor urbanas devem ser mais frequentes
Tempestade se aproxima da cidade de Niterói, no Rio: eventos extremos alimentados pelo fenômeno das ilhas de calor urbanas devem ser mais frequentes 

RIO - Novas previsões do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC) indicam que o Brasil caminha para um futuro ainda mais preocupante do que se imaginava. Números obtidos pelo GLOBO — parte do quinto relatório do IPCC, que está sendo finalizado em reunião com representantes de 110 países em Estocolmo e só será divulgado oficialmente na sexta-feira — indicam que as temperaturas no país podem aumentar de 3 a 5 graus Celsius até 2100, com as máximas diárias se elevando em até 7 graus. Tal cenário seria catastrófico, com redução de até 30% das chuvas e desaparecimento de 50% das espécies vegetais do Cerrado.
Produzidos desde 1990, os relatórios do IPCC sempre foram marcados por previsões globais para o aquecimento e suas consequências, com números de amplo alcance como a elevação da temperatura média da Terra e do nível dos oceanos. Mas embora tenham servido para chamar a atenção para os efeitos planetários da ação humana, os textos muitas vezes falharam em aproximar o cidadão comum do tema e da ciência por trás dele. Diante isso, os 809 especialistas reunidos em Estocolmo para finalizar a primeira parte do novo relatório decidiram regionalizar as previsões, como explicam em rascunho de parte do documento.
Segundo os integrantes do primeiro grupo de trabalho do IPCC, esta nova parte do relatório tem como objetivo ajudar os esforços de comunicação e aumentar o engajamento do público tanto em nível regional, nacional e local nas discussões em torno das mudanças climáticas. “Embora estes públicos possam não estar interessados em discussões científicas globais ou em instituições e negociações internacionais, eles podem ficar interessados nas ameaças iminentes que as mudanças climáticas apresentam para sua segurança, seus lares, suas famílias e suas propriedades”, diz a introdução do texto, que continua: “Assim, em uma época na qual algumas pessoas consideram as mudanças climáticas 'uma ameaça futura', 'que não me diz respeito' ou 'apenas um boato', a intenção deste sumário regional e torná-las reais, relevantes e urgentes para elas”.
Ainda de acordo com os integrantes do IPCC, o destaque às previsões regionais também leva em conta que, muitas vezes, os impactos das mudanças climáticas, como secas e enchentes, não demonstram ter padrões claros quando observados globalmente. “Por outro lado, quando observadas localmente, estas descobertas científicas podem ser extremamente claras. Assim, o foco em achados locais, nacionais ou regionais não só tornará as mudanças climáticas mais relevantes para o público-alvo como também ajudará a prevenir debates mal informados ou mal conduzidos que aqueles em favor de um futuro de alto carbono podem tentar promover”, acrescenta o documento.
Para o Brasil, a expectativa do relatório regional é de mais aridez no Norte e Nordeste e ciclos de secas e tempestades extremas no Sul, acompanhadas de ondas de calor que poderão ter fortes impactos em biomas importantes como a Amazônia e o Cerrado, além de prejudicarem a agricultura e até mesmo a geração de energia pelas hidrelétricas que respondem por mais de 80% da eletricidade consumida no país. Outro alerta do texto é relativo à piora do efeito de ilhas de calor nas zonas urbanas, marcadamente no Sudeste brasileiro, onde estão as maiores cidades do país.
— A questão das cidades é um item preocupante — comenta Suzana Kahn-Ribeiro, especialista brasileira que integra o primeiro grupo de trabalho do IPCC. — As cidades precisam ser olhadas com mais atenção, pois têm um papel importante nas alterações climáticas, não só porque são as maiores fontes de emissão de gases do efeito estufa como modificam o albedo da Terra (refletividade) e alteram o microclima criando as ilhas de calor.
Já o colombiano Walter Vergara, chefe da Divisão de Mudanças Climáticas e Sustentabilidade do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), considera a América Latina uma das regiões mais vulneráveis aos eventos extremos provocados pelas mudanças no clima. Segundo Vergara, a diminuição da cobertura glacial do Ártico, da Antártica e da Cordilheira dos Andes, que provocará o aumento do nível do mar, deflagrará uma grave crise econômica em países como o Brasil, onde as cidades mais ricas e populosas são litorâneas.
— Toda a infraestrutura costeira, inclusive os portos, será afetada — ressalta. — O aumento das precipitações, outra consequência das mudanças climáticas, prejudicará a agricultura, o que causará um aumento nos preços dos alimentos. A indústria da soja será particularmente abalada.




sábado, 21 de setembro de 2013

FARSA DA UPP ! Com favelas pacificadas, Tijuca sofre com assaltos no asfalto . Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam um aumento de até 141% nos registros de crimes contra o patrimônio, na comparação do trimestre de maio, junho e julho de 2012 com o mesmo período deste ano, e aí Sérgio Cabral ?

Extra

RIO — Cercados por seis comunidades pacificadas, moradores da Tijuca não convivem mais com barulhos de tiros, mas voltaram a sofrer com assaltos e furtos no asfalto. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) apontam um aumento de até 141% nos registros de crimes contra o patrimônio, na comparação do trimestre de maio, junho e julho de 2012 com o mesmo período deste ano. O principal alvo dos bandidos é o celular: no trimestre em questão, foram 24 aparelhos roubados em 2012; este ano, foram 58 (mais 141%). O número de assaltos a transeuntes também subiu: foram 188 registros em maio, junho e julho do ano passado, contra 235 no mesmo período de 2013 (um acréscimo de 25%).

A estatística, no entanto, pode estar aquém da realidade, uma vez que grande parte das vítimas não registra o furto ou o roubo nas delegacias, por achar que de nada vai adiantar. Foi o caso da moradora Elaine Abreu. Seus dois filhos, de 11 e 13 anos, foram assaltados há 15 dias na Praça Xavier de Brito. Um rapaz abordou as crianças na saída do curso de inglês e fugiu pela Rua Otávio Kelly, sem ser interpelado, já que não havia polícia no local:

— Levaram o celular do meu filho de 11 e R$ 7 que o outro tinha no bolso. Não há policiamento na região, tampouco uma cabine da PM. Já roubaram iPod de um amigo do meu filho. Os assaltos aumentaram de dois meses para cá. Não fiz registro porque não ia adiantar nada.

Os roubos, segundo o dono de uma banca de jornais na Praça Saens Peña, costumam acontecer no início da manhã, no horário de almoço e no fim da tarde. São horários de entrada e saída da escola e de troca de turnos de policiais. Muitos agem de bicicleta, com facas e canivetes. Outros, principalmente à noite, usam armas de fogo.

Nesta quinta-feira, o presidente do Conselho Comunitário de Segurança da Tijuca, José Jandir Borges Alves, vai conversar com o comandante do 6º BPM (Tijuca), tenente-coronel Marcelo Nogueira, para reivindicar mais segurança.

A socióloga Julita Lemgruber disse que, provavelmente, muitos dos que estão nas ruas assaltando hoje antes faziam parte da mão de obra do tráfico nas favelas pacificadas:

— Houve um corte na fonte de renda desses jovens.

Marcelo Nogueira reconheceu que os índices de roubos aumentaram no último ano, mas diz trabalhar para reduzir os números. Ele informou que a equipe do serviço reservado do batalhão tenta identificar os menores que assaltam. Segundo o oficial, já se sabe que são de seis a oito, dos morros do Salgueiro (Tijuca) e do Turano (Rio Comprido). Há um grupo também que sai da Mangueira. Todas têm UPPs.

Ele solicitou às vítimas que registrem os casos nas delegacias, para a polícia ter informações mais precisas. E acrescentou:
— Os jovens devem evitar andar com celulares à mostra, pois chamam a atenção do assaltante, que age na oportunidade.

Venci’, diz ex-catadora de latinhas do DF que passou em concurso do TJ


Marilene Lopes trocou renda mensal de R$ 50 por salário de R$ 7 mil.
‘Passei um ano com uma só calcinha’, lembra a hoje técnica judiciária.


Uma catadora de latinhas do Distrito Federal conseguiu passar em um concurso para o Tribunal de Justiça estudando apenas 25 dias durante período de repouso por causa de uma cirurgia. Ela trocou uma renda mensal de R$ 50 por um salário de R$ 7 mil. “Foi muito difícil. Hoje, contar parece que foi fácil, mas eu venci”, diz. Agora, ela diz que pensa em estudar direito.
Ex-catadora de latinhas Marilene Lopes e os filhos em frente ao barraco em que moravam em uma invasão em Brazlândia, no Distrito Federal (Foto: Marilene Lopes/Arquivo pessoal)
Ex-catadora de latinhas Marilene Lopes e os filhos em frente ao barraco em que moravam em uma invasão em Brazlândia, no Distrito Federal (Foto: Marilene Lopes/Arquivo pessoal)
Sem dinheiro nem para comprar gás e obrigada a cozinhar com gravetos, Marilene Lopes viu a vida dela e a da família mudar em 2001, depois de ler na capa de um jornal a abertura das inscrições para o concurso do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.
Ela, que até então ganhava R$ 50 por mês catando latinhas em Brazlândia, a cerca de 30 quilômetros de Brasília, decidiu usar os 25 dias de repouso da cirurgia de correção do lábio leporino para estudar com as irmãs, que tinham a apostila da seleção. Apenas Marilene foi aprovada.
Nunca tinha nem fruta para comer. Eu me lembro que passei um ano com uma só calcinha. Tomava banho, lavava e dormia sem, até secar, para vestir no outro dia. Roupas, sapato, bicicleta [os filhos puderam ter depois da aprovação no concurso]. Nunca tive uma bicicleta”
Marilene Lopes, ex-catadora de latinhas que hoje trabalha no TJDF
“Minha mãe disse que, se eu fosse operar, ela cuidava dos meninos, então fui para a casa dela. Minha mãe comprou uma apostila para as minhas irmãs, aí dei a ideia de formarmos um grupo de estudo. Íamos de 8h às 12h, 14h às 18h e de 19h às 23h30. Depois eu seguia sozinha até as 2h”, explica.
O esforço de quase 12 anos atrás ainda tem lugar especial na memória da família. Na época, eles moravam em uma invasão em Brazlândia.
Marilene já havia sido agente de saúde e doméstica, mas perdeu o emprego por causa das vezes em que faltou para cuidar das crianças. Como os meninos eram impedidos de entrar na creche se estivessem com os pés sujos, ela comprou um carrinho de mão para levá-los e aproveitou para unir o útil ao agradável: na volta, catava as latinhas de alumínio.
Segundo ela, a situação durou um ano e meio, e na época a família passava muita fome. “Nunca tinha nem fruta para comer. Eu me lembro que passei um ano com uma só calcinha. Tomava banho, lavava e dormia sem, até secar, para vestir no outro dia. Roupas, sapato, bicicleta [os filhos puderam ter depois da aprovação no concurso]. Nunca tive uma bicicleta”, conta.
Mesmo para se inscrever na prova Marilene, que é técnica em enfermagem e em administração, encontrou dificuldades. Ela lembra ter pedido R$ 5 a cada amigo e ter chegado à agência bancária dez minutos antes do fechamento, no último dia do pagamento. E o resultado foi informado por uma das irmãs, que leu o nome dela no jornal.
“Tinha medo [de não passar] e ao mesmo tempo ficava confiante. Sabia que se me dedicasse bem eu passaria, só precisava de uma vaga”, diz. “Dei uma flutuada ao ver o resultado. Pedi até para minha irmã me beliscar.”
Ganhando atualmente R$ 7 mil, a técnica judiciária garante que não tem vergonha do passado e que depois de formar os cinco filhos pretende ingressar na faculdade de direito. “Mesmo quando minhas colegas passavam por mim com seus carros e riam ao me ver catando latinhas com o meu carrinho de mão eu não sentia vergonha. E meus filhos têm muito orgulho de mim, da nossa luta. Eles querem seguir meu exemplo.”
Marilene já passou pelo Juizado Especial de Competência Geral, 2ª Vara Cível, Órfãos e Sucessões de Sobradinho, 2ª Vara Criminal de Ceilândia, 12ª Vara Cível de Brasília e Contadoria. A trajetória dela inspira os colegas. Por e-mail, o primeiro chefe, o analista Josias D’Olival Junior, é só elogios. “A sua história de vida, a sua garra e o seu caráter nos tocavam e nos inspiravam profundamente.”
Servidora do Tribunal de Justiça do Distrito Federal Marilene Lopes, que foi catadora de latinhas (Foto: Marilene Lopes/Arquivo pessoal)
Servidora do Tribunal de Justiça do Distrito Federal
Marilene Lopes, que foi catadora de latinhas
(Foto: Marilene Lopes/Arquivo pessoal)
A técnica afirma ainda que não se arrepende de nada do que passou, nem mesmo de ter tido cinco filhos – como diz terem comentado amigos. “Ainda hoje choro quando me lembro de tudo. Eu não tinha gás e nem comida e não ia falar pra minha mãe. Se falasse, ela me ajudaria, mas achava um abuso. Além de ficar 25 dias na casa dela, comendo e bebendo sem ajudar nas despesas, ainda ia pedir compras ou o dinheiro para o gás? Ah, não. Então assim, quando passei, foi como se Deus me falasse ‘calma, o deserto acabou’.”
Da época de catar latinhas, Marilene diz que mantém ainda a qualidade de ser supereconômica. Ela afirma que não junta mais alumínio por não encontrá-los mais na rua. “As pessoas descobriram o valor, descobriram que dá para vender e juntar dinheiro”. Já as irmãs com quem estudou, uma se formou em jornalismo em 2011 e outra passou quatro anos depois no concurso do TJ de Minas Gerais, e foi lotada em Paracatu.
Dificuldades
O primeiro problema enfrentado por Marilene veio na posse do concurso. A cerimônia ocorreu três dias após o nascimento do quinto filho, em um parto complicado. A médica não queria liberá-la para a prova, mas só consentiu com a garantia de que ela voltaria até 18h30. Por causa do trânsito, a catadora se atrasou em uma hora.
“A médica chamou a polícia dizendo que eu tinha abandonado meu filho. É que eu estava de alta, mas o bebê não, e ele precisava tomar leite no berçário enquanto eu estivesse fora”, lembra. “A enfermeira ligou para a polícia do hospital e explicou a situação e aí pararam de me procurar. A médica me deixou com o problema e foi embora, no término do plantão dela.”
Resolvida a situação, Marilene e a família viveram bem até 2003, quando o marido resolveu sair de casa. O homem, que já havia sido preso por porte ilegal de arma, havia “se deslumbrado” com a situação econômica da mulher. A casa e o carro comprados a partir do salário do tribunal precisaram ser divididos.
Atualmente, ela mora com os filhos na casa de um amigo, na Estrutural, enquanto aguarda a entrega de um apartamento de três quartos em Águas Claras. Marilene tem uma moto e, junto com uma das irmãs, está pagando um consórcio para comprar um carro zero.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Sérgio Cabral não escapa de vaias, nem no Rock in Rio, hoje Cabral não pode nem mais sair de casa, só se for mascarado, mas ele proibiu as máscaras

O Dia, Aroeira


Sérgio Cabral virou um prisioneiro de suas mentiras, barbaridades, e outras coisas mais, hoje onde ele vai é vaiado e hostilizado, é o FIM de Cabral.


Jornal do Brasil


Nem no Rock in Rio, onde a felicidade não dá espaço para o mau humor, o governador Sérgio Cabral deixa de receber uma profunda vaia só ao terem lembrado o nome dele. 

Ah, existe agora uma associação na cabeça dos assessores ou sabujos do chefe, pois acreditam que o Medina é homem do Cesar. Suposto responsável pela vaia.

Brasil lidera lista dos mais afetados por vírus na América Latina

A Karpesky divulgou a lista das principais ameaças que atingiram computadores da América Latina no primeiro semestre de 2013. No Brasil, onde o total de registros de acidentes que envolviam malware chegaram a mais de 29 millhões no período, 35% foram ocasionados por ameaças transmitidas pela web. O percentual coloca o país em 35º lugar no ranking global de países atacados. Mas, na América Latina, o Brasil lidera a lista atual e preocupa.
Em primeiro lugar no top dez de ameaçar virtuais está a worm "Debris.a", uma ameaça propagada por meio de dispositivos USB ou sites. Descoberta em abril, a praga virtual afeta um grande número de usuários em países como México, Equador, Peru, Colômbia e Bolívia.
A Worm.Win.32.Debris.a se propaga via USB e é a principal ameaça a afetar computadores da América Latina (Foto: Divulgação)A Worm.Win.32.Debris.a se propaga via USB e é a principal ameaça a afetar computadores da América Latina (Foto: Divulgação)
A lista de maiores ameaças virtuais é integrada também pelos chamados "Adware.Win 32", que são dispositivos que alteram os navegadores e instalam acessórios para exibição de publicidade. Com ele, a cada clique ou visita ao site, o cibercriminoso ganha dinheiro.
O diretor do grupo de Pesquisa e Análise para a América Latina da Karpesky, Dmitry Bestuzhev, classifica os programas como potencialmente perigosos porque os dispositivos não roubam dinheiro das vítimas diretamente, mas o fazem por meio do adware, que lhes garante lucro por outros meios durante a navegação.
O estudo identificou ainda que a ameaça "Kido.ih", detectada pela primeira vez em 2009, continua a afetar computadores na América Latina. Bestuzhev explica que o worm se propaga por dispositivos USB e vulnerabilidades do Windows em redes Microsoft. “Há problemas graves nos hábitos de correção de vulnerabilidade, na instalação de atualizações e gestão responsável dos dispositivos USB pelos usuários”, analisa. O que favorece o fato de tal ameaça antiga ainda ser uma das principais a atingir equipamentos na América do Sul.
A pouca preocupação com proteção de drives removíveis, CDs, DVDs e outros métodos de armazenamento, foram responsáveis também por 36% dos incidentes de malware em PCs no Brasil. O estudo mostrou também a presença da família de código malicioso "Trojan.Runner", que se espalha somente através de dispositivos USB (pendrives).
“É a prova de que existem sérios problemas no manuseio de dispositivos e configuração de sistemas operacionais, onde o sistema conhecido por Autorun não é desativado pelos usuários”, finalizou.
Usuários de computadores que encontrarem arquivos com nomes iguais ou semelhantes aos exibidos no gráfico da Kaspersky acima devem procurar uma solução antivírus com urgência.

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Câmara de Vereadores do Rio vai gastar R$ 3,5 milhões em selos



Para alguns vereadores, benefício não faz sentido, em plena era do e-mail -
Foto: Marco Antônio Cavalcanti/24-9-2008
Para alguns vereadores, benefício não faz sentido, em plena era do e-mail 
RIO - Nada menos do que R$ 3.571.200 é quanto a Câmara do Rio pretende gastar nos próximos 12 meses para manter um benefício no mínimo polêmico para os seus 51 vereadores. No fim do mês passado — mais precisamente no dia 29 de agosto —, foi publicado no Diário Oficial mais um contrato, celebrado no dia 31 de julho, com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), para o fornecimento de selos para os membros do Legislativo municipal. Com isso, cada gabinete mantém por mais um ano o direito a quatro mil unidades por mês. E o detalhe: a administração da Casa admite a falta de controle: “Quanto ao uso efetivo, após a entrega do produto, a responsabilidade é de cada vereador”, informou, através de sua assessoria de imprensa.
Pilhas acumuladas em gabinetes
A cota faz com que muitos vereadores acumulem pilhas e mais pilhas dentro de seus gabinetes. Um dos exemplos é o do vereador Paulo Messina (PV), membro da Comissão de Educação e Cultura da Casa. Ele conta que em alguns meses, graças a um projeto de pesquisa que fez com pais de alunos de algumas escolas municipais, até conseguiu usar parte de seus selos. Mas, ainda assim, calcula ter cerca de 20 mil sobrando, sem uso.
— Realmente, não entendo por que ainda existe uma quantidade fixa todo mês. Foi algo que eu usei porque, nas cartas da pesquisa que eu fiz nas escolas, já deixava o envelope selado para facilitar a vida dos pais na hora da resposta. Mas o ideal seria prestarmos conta daquilo que efetivamente utilizamos — argumentou Messina.
Ao mesmo tempo que admite a falta de controle sobre o uso, a Câmara argumenta que as sobras dos quatro mil de cada gabinete seriam abatidas da cota do mês seguinte. Mas, na prática, isso parece não acontecer. Os vereadores do PSOL Paulo Pinheiro, Eliomar Coelho e Renato Cinco dizem que também acumulam milhares de selos não usados.
— É algo que não faz sentido no tempo em que estamos, do e-mail, do Facebook... É um dinheiro que poderia ser investido, por exemplo, em mais computadores — comentou Paulo Pinheiro.
A falta de controle sobre o uso dos selos parece ser algo que vem se perpetuando sem que ninguém pense efetivamente em mudar as regras. E pode até estar gerando um mercado paralelo na Casa. Atual segundo suplente do PV na Câmara e vereador na última Legislatura por dois anos, substituindo Aspásia Camargo, Dr. Edison da Creatinina disse que, ao final de seu mandato, pediu à direção da Casa para devolver milhares de selos não utilizados. Mas contou que, antes disso, chegou a receber ofertas pelo material:
— Consegui devolver o equivalente a R$ 35 mil, mas, nos dois anos em que estive na Casa, pude ver que havia pelo menos uma pessoa que passava pelos gabinetes distribuindo panfletos para comprar o que não era utilizado. Hoje em dia, com a internet, essa cota de quatro mil é algo que não faz o menor sentido.
Ao todo, são 204 mil selos por mês para os gabinetes. Mas a Câmara não para por aí: ainda são disponibilizadas mensalmente outras 11 mil unidades para a Mesa Diretora, a Secretaria da Mesa e para os setores de administração e de processamento legislativo. As 22 comissões permanentes recebem, cada uma, mil selos por mês. Lideranças e blocos partidários têm direito a um total de sete mil. Já a Diretoria Geral fica com quatro mil.
Cota é defendida apesar do alto custo
Os altos gastos com os selos também têm os seus defensores na Câmara. Apesar de ser um amante declarado da internet, em sua estreia como vereador o ex-prefeito Cesar Maia afirmou que o benefício está sendo muito útil. Segundo ele, até agora já foram enviadas 3.900 cartas para prestação de contas do seu mandato.
“Selo é uma tradição parlamentar para correspondência com os eleitores. Todos os parlamentos têm, nos três níveis, há muitas décadas. O e-mail substitui (a correspondência) no dia a dia. Mas a carta enviada para o eleitor em sua casa tem sempre um impacto diferenciado. Angela Merkel (atual chanceler alemã), na eleição de 2009, enviava cartas manuscritas, e isso foi um sucesso de marketing politico”, afirmou Cesar, por e-mail.
Com cerca de 24 mil votos nas últimas eleições, Leonel Brizola Neto (PDT) disse que considera a cota por gabinete “até pequena”:
— No meu caso, seria impossível me comunicar com o eleitor pela internet. Meu eleitor tem um perfil mais humilde. E, para falar a verdade, o brasileiro ainda gosta de receber uma cartinha, por se sentir importante. No meu aniversário, por exemplo, costumo receber uma carta do governador Sérgio Cabral, de quem sou adversário, e, por algum tempo, mesmo que pequeno, até simpatizo com ele.
Vereador de primeiro mandato, o jovem Marcelo Queiroz (PP), que recentemente assumiu uma vaga de titular na CPI dos Ônibus, também se mostrou defensor dos selos:
— Eu tenho várias formas de me comunicar com o eleitor. Uso rede social e correspondência. Sou a favor da cota de selos. É importante levar em conta que, ao contrário do Congresso Nacional, os vereadores não têm verba de representação de gabinete que possa ser usada inclusive para gastar com correio.
Outras despesas também geram polêmica
A polêmica em torno dos gastos no Legislativo já se tornou rotina no estado. A própria Câmara de Vereadores do Rio viveu uma crise quando tentou renovar sua frota em março de 2011: uma compra de 51 automóveis Jetta, no valor de R$ 3,5 milhões. Depois da pressão popular e de uma série de reportagens do GLOBO, os vereadores fizeram uma reunião a portas fechadas e decidiram pelo cancelamento da compra dos veículos.
Na época, irritado com o impacto negativo na opinião pública, o presidente da Câmara, Jorge Felippe (PMDB), disse que a compra havia sido discutida e aprovada durante uma reunião com 46 vereadores. Apenas cinco, de acordo com ele, manifestaram-se contrários à medida desde o início: Teresa Bergher (PSDB), Leonel Brizola Neto (PDT), Eliomar Coelho (PSOL), Paulo Pinheiro (PPS) e Andrea Gouvêa Vieira (PSDB). Com a repercussão, outros também passaram a questionar a compra, e alguns rejeitaram os novos veículos.
Depois de um pedido da Câmara, a própria montadora Volkswagen decidiu devolver os recursos aos cofres públicos. Em nota, ela informou que atendia à solicitação da Câmara “em caráter excepcional e sustentada em parâmetros legais”. Os Jettas que foram negociados na época eram do modelo 2012, com quatro airbags, bancos de couro, sensor de estacionamento dianteiro e traseiro, bicombustível, com motor 2.0 e direção hidráulica, entre outras características.
Em março deste ano, O GLOBO mostrou que a Alerj assinou um contrato de R$ 43,2 mil por um ano para que o presidente da Casa, deputado Paulo Melo (PMDB), tenha à sua disposição duas máquinas que oferecem café expresso, carioca, com leite, chocolate, capuccino ou capuccino com chocolate. Somente a colocação dos quatro últimos tipos de bebida no serviço resultou num acréscimo de R$ 10,8 mil nas despesas, na comparação com os equipamentos que têm apenas o simples cafezinho.
À época, Melo se indignou com as críticas. “Por que o Poder Legislativo não pode ter as coisas? Por quê?”, perguntou, num discurso em plenário.

DESCASO E ABANDONO TOTAL !!! Rio tem 207 mil vivendo em encostas com risco de desabar, e aí Sérgio Cabral ?



Abandono total, e olha que o verão está chegando e nada foi feito...


RIO — Nascida e criada no sopé do Morro Dois Irmãos, na Chácara do Céu, Zona Sul do Rio, a doméstica Márcia Correia dos Santos, de 42 anos, viu-se subitamente sem teto. Convidada a se retirar da casa onde vivia com o marido e os filhos Edson e Talita, foi morar na casa do patrão, no Vidigal, há um mês. Márcia pagava R$ 200 de aluguel à irmã, dona do imóvel. Com a procura de estrangeiros por morros pacificados, a proprietária planeja alugar o local por R$ 700. Só que o imóvel nem deveria estar de pé, pois foi interditado pela prefeitura em maio de 2010, por risco de deslizamento. A três meses do verão — e das enxurradas da estação —, histórias como a de Márcia não são raras. Segundo dados do Departamento de Recursos Minerais (DRM-RJ) e de prefeituras, obtidos com exclusividade pelo GLOBO, oficialmente 207.547 pessoas vivem em encostas de alto risco nos 92 municípios do estado. Um número equivalente ao de moradores da Ilha do Governador. Em números absolutos, a capital vem em primeiro no ranking do perigo, com aproximadamente 100 mil pessoas morando em encostas ameaçadas de deslizamento.

Em segundo lugar vem Nova Friburgo, com 22.400 pessoas em alto risco, seguida por Teresópolis (19.200) e Petrópolis (18 mil), também na Região Serrana. Em proporção ao número total de moradores, Friburgo é o pior caso, com 12% da população em risco. Angra dos Reis ainda está fazendo o levantamento.

20 anos de ‘Arquivo X’


(E-D) Gillian Anderson, Chris Carter e David Duchovny em 'Arquivo X' (Fotos: Fox/Arquivo)
Considerada um fenômeno, a sérieArquivo X completou no dia 10 de setembro vinte anos de produção. Criada por Chris Carter, a série mesclou diversos gêneros e elementos comumente vistos em uma produção televisiva, criando um novo formato (por assim dizer) que ainda é reutilizado. Por isso, para muitos, ela representa o início da produção seriada de ficção e fantasia tal como a conhecemos hoje. Para outros, ela representa mais um marco de transição da constante evolução televisiva.
Arquivo X estreou em 1993, período em que os EUA vivia as consequências da invasão do Kuwait, por parte de Saddam Hussein, bem como da queda do muro de Berlim, que levou à unificação da Alemanha e ao fim da ameaça comunista.
Exibida na última década do Século XX, a série explorou o interesse do público pelas teorias da conspiração que foram se acumulando ao longo dos anos com o fim da 2ª Guerra Mundial, na década de 1940. O macartismo, a guerra fria, o caso Roswell, o assassinato de John F. Kennedy, a Guerra do Vietnã, Watergate, o caso Irã-Contras e tantas outras situações que geraram paranóia e construíram a cultura da conspiração passaram a fazer parte do universo deArquivo X, mesmo quando não eram mencionados. Para entender o significado da série, bastava compreender e aceitar esse cenário.
Além de mergulhar neste ambiente, Arquivo X também se beneficiou de três mudanças importantes no cenário televisivo: o surgimento do canal Fox, o afrouxamento das regras do FCC, e o sucesso de Twin Peaks, série de David Lynch que apresentava situações bizarras dentro de um ambiente aparentemente normal.
Na virada da década de 1980 para 1990, o FCC, órgão que regulamenta a televisão americana, passou a permitir que a abordagem de temas mais pesados pudessem utilizar cenas com maior detalhe visual, o que beneficiou as séries policiais com os crimes que investigavam, os dramas médicos com suas cirurgias e doenças, e os dramas que faziam uso de cenas de sexo e violência em geral. A exploração desses elementos por parte dos canais da rede aberta americana chegou ao ponto do Congresso se vir forçado a criar em 1997 um sistema de classificação da programação televisiva, que varia entre recomendado para crianças de diferentes idades, e para adultos.
A Fox iniciou suas operações em 1986 com a proposta de ser um canal mais ousado, oferecendo produções que ultrapassariam os limites daquilo que vinha sendo explorado até então pelas séries de TV. Com esse objetivo em mente, a Fox aprovou a produção de séries como Os Simpsons, Um Amor de Família, Anjos da Lei e o reality show Cops (que exerceria forte influência na estética e narrativa dos seriados).
Mas, até o início da década de 1990, a Fox ainda não era considerada uma forte concorrente para as grandes redes de TV, ABC, CBS e NBC. O canal conseguia conquistar o respeito da crítica e causar burburinho na mídia, mas não cobria o território americano. Mal comparando, a Fox era como o CW hoje em dia, mas sem a ajuda da Internet.
Em 1993, a Fox deu o primeiro passo para se tornar uma rede de TV de grande porte. Ela conseguiu ‘roubar’ da CBS o contrato que lhe garantia a exibição dos jogos da National Football League – NFL. Com isso, a Fox ampliou o número de retransmissoras por todo o país, permitindo que ela chegasse em um número maior de domicílios.

Para manter a audiência que estava crescendo, a Fox correu atrás de um número maior de séries que retratassem o interesse do grande público, em especial os jovens. No início da década surgiu Barrados no Baile (Beverly Hills, 90210), drama teen que estreou em 1990, gerando a spinoff Melrose Place em 1992; o drama familiar O Quinteto/Party of Five de 1994 e Arquivo X, um drama policial com elementos de terror e situações sobrenaturais.
Na década de 1980, a produção de séries de ficção científica estava quase que restrita às histórias de super-heróis e viagens espaciais. Produções como A Supermáquina, Águia de Fogo, Moto Laser ou Trovão Azul, por exemplo, traziam histórias policiais e de espionagem com elementos de ficção, que no caso eram representados por equipamentos sofisticados (carros, helicópteros ou motos) capazes de realizar proezas quase que milagrosas. Também foi neste período que a TV viu surgir produções como Contratempos/Quantum LeapV – os Alienígenas no Planeta Terra, Histórias Maravilhosas, Missão Alien e o remake de Além da Imaginação. 
Pensando em oferecer algo que pudesse ir além dos dramas sociais explorados por essas últimas, Carter criou uma série situada no tempo presente e na vida real, com elementos que fogem à normalidade, em um ambiente sombrio, no qual o herói nem sempre vence. São monstros, alienígenas e criaturas diversas convivendo no mesmo ambiente que o tráfico de drogas, assaltos a bancos e sequestros.
Para tanto, Carter mesclou diversos gêneros. Entre eles, ficção científica, terror, fantasia, policial, espionagem e paródias. Dentre esses gêneros, ele explorou temas como conspirações governamentais, invasão alienígena, anomalias genéticas, experiências científicas, paranóia, paranormalidade, vida após a morte, entre outros.
Inspirada em produções como Além da Imaginação, Quinta Dimensão, O Prisioneiro, Os Vingadores, Os Invasores, Kolchack – Demônios da Noite, Prime Suspect e Twin Peaks, entre outras, a série Arquivo X também se apoiou em filmes como O Silêncio dos Inocentes para criar seu universo e sua estética.
Segundo elenco de 'Arquivo X'
Para narrar essa trama, Carter uniu dois formatos: aquele que apresenta um monstro por semana em histórias fechadas, e o que apresenta um arco dramático ao longo de toda série.Arquivo X também fez uso da fórmula do ‘casal que forma uma dupla de policiais’ (algo muito popular na época).
A história tinha dois focos básicos. O primeiro apresentava a dupla Mulder e Scully agindo como a salvação daqueles que são vítimas de alguma anomalia ou situação bizarra. O segundo foco apresenta a dupla como vítima do FBI e da conspiração governamental, que tenta manter em segredo a existência de alienígenas.
Na história, Fox Mulder (David Duchovny) e Dana Scully (Gillian Anderson) trabalham para um departamento do FBI que investiga casos considerados estranhos. Tratado como esquisito, Mulder não é levado à sério por seus colegas. Seu interesse por este tipo de caso começou quando, adolescente, testemunhou o sequestro de sua irmã Samantha, que teria sido levada por alienígenas. Mulder e Scully representam a fé que temos em algo que vai além da razão, e a dificuldade que temos em acreditar no impossível, mesmo quando nos deparamos com ele.
Na concepção original, a série retrataria as investigações de Mulder sobre fenômenos paranormais e bizarros, nos mesmos moldes de Kolchak – Demônios da Noite, que acompanha os trabalhos de um jornalista nesta área. Sabendo que a trama se desgastaria muito rápido, tal como ocorreu com a série da década de 1970, Carter incluiu em seu projeto a história de Samantha, que surgiu quando ele soube por um amigo que cerca de 3% da população americana acreditava ter sido abduzida por alienígenas. Também incluindo Scully na trama, para fazer contraponto com Mulder, Carter apresentou o projeto para a Fox.
Temendo que a série pudesse se transformar em um programa piegas ou limitado, a Fox recusou o projeto. Carter insistiu e acabou conseguindo a encomenda de um episódio piloto para avaliação.
A produção da série foi aprovada com o objetivo de substituir o reality show Sightings, que apresentava casos relacionados a UFOs. Apesar da boa audiência, o programa não seduzia os anunciantes, o que levou ao seu cancelamento.
Acreditando que a série não duraria muito tempo, Duchovny aceitou interpretar Mulder. Já a contratação de Anderson foi uma luta travada por Carter com a Fox. Para atrair o interesse da audiência masculina, o canal queria alguém que se parecesse mais com Pamela Anderson, atriz de Baywatch, que fazia muito sucesso na época. Por outro lado, Gillian também não estava muito entusiasmada com a ideia de trabalhar na TV. Ela preferia fazer cinema mas, sem ofertas nesta área e precisando de dinheiro, ela aceitou fazer Arquivo X.
'The Lone Gunman'
A série estreou no dia 10 de setembro de 1993 registrando a média de 12 milhões de telespectadores ao vivo, e 7.9/15 de rating/share, ficando em 57º lugar na audiência geral.
Neste primeiro momento, Arquivo X não recebeu apoio da Fox, que ainda não compreendia a série em sua totalidade. O canal estava mais entusiasmado comBrisco Jr., um faroeste que misturava elementos de ficção científica e fantasia (tal qual James West).
A série só conseguiu se estabelecer na audiência durante a terceira temporada, que se tornou uma das maiores audiências entre o público alvo (18-49 anos). Isto porque, neste período, a Fox já tinha conseguido ampliar seu sinal com a aquisição de novas retransmissoras, chegando a um número maior de residências. Com isso, durante a quarta temporada, Arquivo Xsaiu das noites de sexta-feira, migrando para a grade de domingo.
Duchovny deixou o elenco regular da série ao final da sétima temporada, sendo substituído por John Doggett (Robert Patrick). Na história, Mulder é abduzido por alienígenas. Nas duas últimas temporadas, a série ainda contou com a presença de Monica Reyes (Annabeth Gish), agente do FBI que forma dupla com Doggett depois que Dana deixa o departamento.
Durante sua produção, a série gerou duas spinoffs, The Lone Gunman (2001) e Millennium(1996-1999). A primeira acompanhava as aventuras de um trio de hackers que costumava ajudar Mulder em suas investigações. A produção teve apenas uma temporada e treze episódios exibidos. A segunda apresentava a vida de Frank Black, um ex-agente do FBI capaz de penetrar na mente dos criminosos. A produção teve três temporadas e 67 episódios exibidos.
Mulder & Scully
Durante a construção de personagens, Carter sofreu forte pressão do canal Fox para transformar Mulder e Scully em um casal aos moldes de Maddie Hayes e David Addison, de A Gata e o Rato/Moonlighting. Esta foi uma produção que se transformou em um marco da TV americana na década de 1980, tornando-se referência para as séries estreladas por um casal de detetives. Sendo uma fórmula testada e aprovada pelo público, a dupla Maddie e David passou a ser reproduzida ao longo dos anos.
Carter foi terminantemente contra. Ele acreditava que o envolvimento emocional de Mulder e Scully poderia comprometer a seriedade do trabalho que realizavam. Seguindo o caminho oposto ao que a Fox queria, Carter também ofereceu um casal oposto às personalidades de Maddie e David. Mulder e Scully não discutiam, nem competiam entre eles para descobrir quem estava certo. Ao contrário, eles se completavam, respeitando e levando em consideração a opinião do outro.
Mesmo assim, ao divulgar a série, a Fox informava aos jornalistas que existia sim uma tensão sexual entre os dois personagens, a qual seria trabalhada ao longo dos episódios. Carter chegou a levar essa ideia na brincadeira, seja nas fotos promocionais da série com os protagonistas, seja em situações ao longo dos episódios. O produtor cederia no final da série, dando ao público a certeza de que Mulder e Scully formavam, de fato, um casal.
'Millennium'
Embora Carter tenha dito várias vezes que sua principal referência para a série tenha sido Kolchack – Demônios da Noite, é visível que a construção do personagem Fox Mulder veio de outra produção.
No final da década de 1960, a TV americana estreou uma de suas primeiras séries sobre conspiração alienígena. Os Invasores trazia o arquiteto David Vincent (Roy Thinnes, que fez participações emArquivo X) testemunhando por acidente a chegada de uma nave alienígena na Terra. Tentando convencer as autoridades, Vincent descobre, aos poucos, que os alienígenas estão há muitos anos na Terra e assumiram posições estratégicas na economia e na política com o objetivo de dominar o planeta.
A série foi cancelada com apenas duas temporadas produzidas. Se tivesse sido renovada, a terceira temporada retrataria os alienígenas colocando em prática seu plano.
No início da série, Vincent era um homem ingênuo. Ao longo dos episódios, ele vai aprendendo a se defender, a identificar as conspirações alienígenas e a lidar com elas. Vincent também aprende a identificar em quem ele pode ou não confiar. Mulder seria Vincent nos dias de hoje. Um homem que ainda acredita, mas não luta mais contra o sistema. Ao contrário, Mulder se uniu a ele e o utiliza na sua busca da verdade. Para o governo, Mulder é um homem perigoso mas que, se mantido por perto, pode ser controlado e manipulado.
Inicialmente limitada a explorar ideias, Arquivo X começou a tomar forma em seu segundo ano, quando Scully é abduzida por alienígenas. Esta situação levou a série a trabalhar sua própria mitologia permitindo, inclusive, que Mulder definisse sua personalidade. Até então, ele era o retrato do caçador de alienígenas que tenta provar uma conspiração do governo para manter a verdade escondida. Quando Scully sai de cena (em função da gravidez da atriz), reproduzindo a mesma situação de Samantha, Mulder se vê obrigado a olhar para seu passado mergulhando em seus conflitos emocionais, o que fez surgir um personagem por inteiro.
O mesmo ocorre com Scully. Introduzida na série e no departamento como contraponto de Mulder, Scully tinha a função de observar e analisar o comportamento do colega, fazendo relatórios sobre seus casos, os quais poderiam colocar em dúvida as crenças do colega. A partir de sua abdução, a personagem começa a traçar um caminho de desconstrução, o qual a leva a questionar suas crenças na ciência, na religião e no governo.
Duchovny e Anderson em 2013
O ponto alto dos personagens está entre a segunda e a quarta temporada. Foi neste período que suas personalidades se formaram e a relação dos dois se tornou a base da série.
O sucesso de Arquivo X fez surgir a produção de outras séries que tentavam reproduzir sua fórmula, o que levou ao seu desgaste. A série não conseguiu ultrapassar a barreira dos cinco anos. Ela começa a perder fôlego a partir da sexta temporada. Ainda assim, ela resistiu até a nona, totalizando 202 episódios e duas versões para o cinema. Este ano, durante a Comic Con de San Diego, Carter, Duchovny e Anderson disseram ter interesse em voltar para um terceiro filme. Mas não há previsão de que algum dia ele seja produzido.
A influência de Arquivo X na TV é sentida até hoje. Além de ter sido a porta de entrada de roteiristas e produtores como Vince Gilligan (Breaking Bad), Frank Spotnitz (Strike Back, Hunted), Darin Morgan (Fringe) e John Shiban (Supernatural), ela também ajudou os executivos dos canais de televisão a entenderem um pouco mais sobre esse tipo de programa e o interesse que ele consegue gerar junto ao público alvo. Sempre que isto ocorre, produtores e roteiristas que cresceram assistindo a um determinado programa têm mais chances de colocar no ar algo que dará continuidade à proposta de uma determinada série.

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