Libertadores o começo da saga rubro-negra até a conquista da Copa Libertadores, em 1981
Em 1978, o Flamengo foi para a decisão do Campeonato Carioca, diante do Vasco, com total responsabilidade do triunfo. Pesavam os últimos insucessos do clube na competição, quando não passou de mero coadjuvante em 75 e 76. Além disso, no ano anterior, em 1977, perdera o título para o Cruz-maltino, nos pênaltis.
O gol de Rondinelli, aos 41 minutos do segundo tempo na decisão de 1978 não só garantiu o título do segundo turno e do Carioca de forma antecipada, sem necessidade de final, como manteve na Gávea uma geração que poderia ter se perdido não fosse aquela cabeçada fulminante.
Na temporada seguinte, duas competições foram realizadas pela federação de futebol do Rio de Janeiro. Em ambas, o Rubro-Negro sobrou e levou a melhor, conseguindo a façanha de ser tricampeão carioca em dois anos. Com a Cidade Maravilhosa pintada de vermelho e preto, Zico e companhia continuaram sua saga e conquistaram o Brasil, em 1980, pela primeira vez na História.
- Depois daquilo, sabíamos que tínhamos condições de títulos ainda maiores. Fomos em busca disso - disse Zico ao LANCENET!.
Foi o ponto inicial para a brilhante saga rubro-negra rumo a América do Sul.
A caminhada pela Libertadores
A estreia na Copa Libertadores de 1981 foi em julho. Na fase de grupos, o Fla teve que enfrentar mais uma vez pelo Atlético-MG, com quem já havia decidido o Brasileiro, no ano anterior. Além do Galo, dois rivais paraguaios, o Cerro Porteño e o Olímpia. As duas equipes brasileiras terminaram com oito pontos, mas somente uma poderia obter a classificação. Em jogo desempate polêmico em Goiânia, o Atlético-MG teve cinco jogadores expulsos, e o Rubro-Negro foi declarado vencedor por 1 a 0.
A segunda fase da competição reuniu os primeiros lugares dos cinco grupos, além do Nacional (URU), campeão da edição anterior. A chave do Flamengo tinha o Deportivo Cali, da Colômbia (que havia eliminado os argentinos River Plate e Rosario Central) e o Jorge Wilstermann, da Bolívia. Em quatro jogos, quatro vitórias tranquilas, e o direito de jogar a final em sua primeira Libertadores.
Decisão inesquecível
O adversário da grande decisão foi o Cobreloa, do Chile. Os dois times possuíam as melhores campanhas da competição e estavam invictos. Os chilenos haviam eliminado os gigantes uruguaios Nacional e Peñarol. A primeira partida das finais aconteceu em um Maracanã lotado. Zico marcou dois gols para o Fla na primeira etapa e Merello diminui no segundo tempo.
Batalha no Chile
Em Santiago, no estádio Nacional, foi disputada a segunda partida da final. Ao Fla, um simples empate bastava para o título. Oito anos antes, o local do jogo serviu de campo de concentração no golpe de Estado no Chile. E podemos dizer que o que aconteceu naquele dia de novembro de 1981 foi uma verdadeira guerra, sobretudo por conta da equipe rival.
O zagueiro Mário Soto foi o protagonista da violência desvairada realizada pelos jogadores chilenos, ao distribuir pontapés e cotoveladas durante toda a jornada. Adílio e Lico foram os que mais sofreram com a covardia adversária. O ponta-esquerda teve o supercílio aberto, que lhe deixaria fora do terceiro e último duelo, já que Marellos marcaria a seis minutos do fim para o Cobreloa, impedindo o título rubro-negro, pelo menos naquele dia.
- A derrota foi até boa. Se tivéssemos sido campeões iria acontecer uma tragédia. Fomos intimidados do início ao fim em Santiago. Não iriam deixar a gente sair vivo dali. Ficamos preocupados. Eles batiam muito - revelou o ex-lateral-direito rubro-negro Leandro, em entrevista ao LNET!.
Vitória na bola
Com uma vitória para cada lado, Flamengo e Cobreloa disputaram no dia 23 de novembro a terceira partida decisão. Sem Lico, Carpegiani ousou taticamente: optou pelo lateral-direito Nei Dias, deslocando Leandro para o meio de campo e Adílio para a ponta-esquerda. Em campo neutro, no Estádio Centenário, no Uruguai, sem a forte pressão de sua torcida, a equipe chilena sucumbiu ao talento dos brasileiros. Com o craque Zico inspirado, o Rubro-Negro saiu na frente logo no início do jogo.
Sem abrir mão de sua virilidade, o Cobreloa esboçou uma reação na segunda etapa, mas sem êxito. Seu estilo violento irritava a comissão técnica do Fla. Na reta final do duelo, em cobrança de falta perfeita, o Galinho enterrou qualquer chance do rival, e mostrou que futebol se joga com a bola, e não desferindo pontapés.
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| Fla e Cobreloa fizeram uma verdadeira batalha (Foto: Arquivo L!) |
Vitória na briga
Com o resultado na mão, Paulo César Carpegiani tomou uma decisão polêmica no banco. Após assistir os chilenos agindo covardemente ao bater em seus jogadores, ele colocou o reserva Anselmo com a missão de revidar o mais violento deles, o zagueiro Mário Soto.
- Ele bateu muito em todos os jogos das finais. Tirou o Lico do terceiro confronto. Soto usava uma pedra na mão para agredir meus jogadores. No finzinho, faltavam cinco minutos e ele pegou o Tita. Chamei o Anselmo e disse para arrepiar o Soto. O problema é que ele não disfarçou e esperou o melhor momento. Pelo contrário, o Anselmo foi lá e deu um soco no meio da cara - contou Carpegiani ao LNET!.
Na bola e no braço, Flamengo campeão da América.
Flamengo Campeão Mundial Interclubes 1981
Muitos achavam que o Flamengo era um time que só conquistava títulos no Maracanã. A Taça Libertadores, vencida no Uruguai, balançou a tese. Depois, o show seria em Tóquio.
Os craques rubro-negros entraram em campo no dia 13 de dezembro de 1981, para enfrentar o Liverpool pelo Mundial Interclubes, com o objetivo de exterminar uma velha máxima ouvida pelos quatro cantos do Brasil: "o Flamengo é time de Maracanã, só neste estádio mostra superioridade". É verdade que, apenas 20 dias antes, o clube carioca conquistara a Taça Libertadores em Montevidéu, no Uruguai, ao derrotar o Cobreloa, do Chile. Mas pouco importou para os críticos. Para convencê-los, o jeito era superar os ingleses. Com sobras, de preferência.
Tudo indicava que não seria fácil. O Liverpool passava por uma fase semelhante à do Flamengo, conquistando títulos há muitos anos. Por coincidência, a primeira taça importante, a da Copa dos Campeões da Europa, foi conquistada em 1978, mesmo ano em que o clube da Gávea vencia o Campeonato Carioca, dando início a uma era de ouro em sua História. A saga vitoriosa do Liverpool seguiria com dois títulos de campeão Inglês, em 1979 e 80, uma Copa da Inglaterra, em 81, e uma nova conquista da Copa dos Campeões da Europa, também em 81. Enquanto isso, o Flamengo arrebatava mais três Campeonatos Cariocas, 79, 79 (Especial) e 81, um Brasileiro (80) e uma Taça Libertadores (81). Os capitães das duas equipes, Thompson e Zico, deviam estar exaustos de tanto praticar levantamento de troféus.
Na guerra dos currículos, pior para o clube brasileiro. Para os especialistas em futebol, as campanhas dos títulos recentes do Liverpool haviam sido mais árduas. Por exemplo, em 1981, enquanto o Flamengo vencera o desconhecido Cobreloa na decisão da Libertadores, o time inglês superara Bayern de Munique e Real Madrid nas duas últimas fases - semifinais e final, respectivamente - da Copa dos Campeões. Pois é, só que essas teses pouco valeriam em Tóquio. Em campo, como adoram repetir os jogadores, seriam 11 contra 11. Durante o jogo decisivo, aí sim, surgiria o favorito.
Os 62.000 torcedores que compareceram ao Estádio Nacional não tiveram que esperar muito para saber qual era o melhor time em campo. Aos 13 minutos, Zico lançou Nunes que viu a saída desesperada do goleiro Grobbelaar e, ainda fora da grande área, O segundo tempo foi arrastado, chato mesmo de se ver. O Liverpool não mostrava forças para reagir, limitou-se a ficar na defesa - talvez temendo sofrer uma goleada ainda mais humilhante. Os craques do Flamengo tocavam a bola de pé em pé sem objetividade, envolvendo os combalidos adversários e esperando o tempo passar. Foram 45 minutos de total domínio rubro-negro sobre os ingleses.
Final de jogo e festa no Brasil, o clube mais popular do país conquistava o mundo. Agora, definitivamente, o Flamengo não poderia ser chamado de "time de Maracanã". Afinal, provou ser imbatível em todo o canto, até mesmo do outro lado do planeta.o encobriu para abrir o placar. "Acidente de percurso", pensaram os ingleses. Coitados, mal sabiam que o show rubro-negro estava apenas começando.
Não se pode dizer que o Liverpool não contava com talentos capazes de inverter o rumo da partida. Os habilidosos Souness e Dalglish, dois dos maiores jogadores da História do futebol escocês, poderiam brilhar a qualquer momento, fazendo o Flamengo tremer. Tremer? Presta atenção no time dirigido por Paulo César Carpegiani: Raul; Leandro, Marinho, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. Havia craques por todos os lados, vencê-los era tarefa quase impossível.
E o pior para os ingleses era que Zico estava inspirado, levando à loucura a defesa adversária. Aos 34 minutos, McDermott derrubou Tita na entrada da área e o Galinho se encarregou da cobrança da falta, mandando a bomba que Grobbelaar apenas rebateu. Na sobra, Lico acertou Thompson e Adílio, esperto, estufou a rede: 2 a 0.
O Liverpool bambeou, faltava pouco para ruir de vez. A solução era torcer para que o primeiro tempo terminasse logo, com a intenção de se recuperar dos ferimentos no intervalo. A tática estava acertada, só faltou avisar a Zico e Nunes. Aos 41 minutos, o maior jogador do Flamengo em todos os tempos lançou novamente o centroavante, que avançou e bateu na saída do goleiro. Com 45 minutos de antecedência, a taça já tinha destino certo: o Rio de Janeiro.

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