quarta-feira, 7 de março de 2012

Brasilienses se preparam para encarar a Travessia dos Fortes, em abril

Além do físico, o lado psicológico será determinante para encarar os 3,5km do percurso, que fica no Rio de Janeiro


Edilson Rodrigues/CB/D.A Press
Candangos treinam no Lago Paranoá: centenas de braçadas por semana em Brasília para sair da água doce e entrar na salgada em poucas semanas

No filme da Disney Procurando Nemo, a peixinha azul Dory canta repetitivamente uma música que diz: “Continue a nadar, continue a nadar, continue a nadar…”. A frase da personagem serve de inspiração à professora Noely Sarmanho na hora de incentivar seus alunos nos treinos em águas abertas.

Dezessete deles vão participar da 10ª edição da Travessia dos Fortes, no Rio de Janeiro, em 1º de abril. A prova conta com cerca de 2.500 atletas e tem um percurso de 3.500 metros para amadores e 3.350 metros para elite. A largada é no Forte de Copacabana e a chegada, no Forte do Leme.

Como muitos dos alunos de Noely estão acostumados a dar as braçadas em piscinas, ela explica que, antes de tudo, é preciso prepará-los para enfrentar um lugar onde não estarão sozinhos em raias nem terão o fundo ao alcance dos pés. “O lado psicológico nesse tipo de prova é muito importante. A gente olha aquela imensidão e pensa: ‘Nossa, tem de atravessar tudo isso’. Alguns acabam ficando para trás e se veem sozinhos. Isso pode ser desesperador. Então, eu digo: ‘Continue a nadar’”, comenta.

Segundo ela, medo e ansiedade em travessias em águas abertas são bem comuns. Afinal, são provas em que, além do exaustivo percurso, há muitas pessoas, e a largada nem sempre é tranquila. O atleta pode ficar embolado com outros nadadores e os “caldos” e a cotoveladas costumam ser comuns. “Outro fator importante é que, em águas abertas, o foco tem de ser na resistência e não na velocidade”, explica Noely.

Apesar das dificuldades impostas pelas travessias aquáticas, a treinadora conta que, no ano passado, levou sete alunos para fazer a prova no Rio, e neste ano, a procura mais do que dobrou. Os treinos são feitos de duas a três vezes por semana, na piscina da academia Torp, onde ela trabalha, e, nos fins de semana, no Lago Paranoá.

“Como muitas vezes contamos com a ajuda do Corpo de Bombeiros para garantir a segurança, as pessoas se animaram mais”, explica. “O lago é um ótimo lugar para fazer esse treinamento. Ele tem correnteza, vento, e só não consegue ter as ondas e a água salgada do mar. No ano passado, quase todo mundo conseguiu completar a prova com tranquilidade. Só um que enjoou por causa das ondas ”, lembra.

Mesma motivação, diferentes idades

Maria Teresa Ferlini e Rafael Sampaio, apesar da diferença de idade — ela tem 56 anos e ele, 24 —, treinam para conquistar o mesmo objetivo em abril: completar a Travessia dos Fortes, no Rio de Janeiro.

Maria começou a se interessar por travessias no ano passado. Participou de duas provas em Brasília e chegou a viajar até Bombinhas (SC) para competir. “Em Santa Catarina, fui sozinha. Nadei sem ter a professora ao lado e foi ótimo. Fui devagarzinho e deu tudo certo. A sensação de superação é ótima. Quando cheguei, parecia que tinha vencido”, conta.

Decidida a enfrentar pela primeira vez uma distância de 3,5 quilômetros, Maria Teresa terá em suas braçadas a companhia de Rafael. O professor de educação física conta que começou a fazer travessias em águas abertas em 2009. Já corria e, por ser professor de natação, decidiu participar de provas de aquatlon, que misturam travessias e corrida.

“Prefiro nadar em águas abertas, pois não tem um limite, uma borda. Você fica mais livre. E a água doce do Paranoá é ótima para treinar, pois ela é mais pesada. Quando chegamos ao mar, com água salgada, nos sentimos bem mais leves”, ressalta.

Memória
No ano passado, a Travessia dos Fortes teve como campeã Ana Marcela, que liderou a prova ao lado de Poliana Okimoto e, nos metros finais, decidiu a competição com um tapa no pórtico de chegada. Poliana alcançou a estrutura antes, mas só entrou em contato com a base dela, o que invalidou a vitória. Já no masculino, a prova foi ainda mais disputada. Depois de puxar o pelotão por grande parte da travessia, Alan do Carmo (campeão em 2009) ficou para trás. Luis Rogério Arapiraca, vencedor em 2010, então, se posicionou para a vitória. Mas Samuel de Bona encontrou um espaço e bateu primeiro a mão no pórtico, arantindo seu primeiro título na competição.

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