domingo, 25 de julho de 2010

‘ASSIM EU DESISTO F1 JÁ ERA…’


por Alexisidoro

Massa e Alonso no GP da Alemanha

Confesso que gostaria de escrever sobre o que aconteceu dentro da pista, falar da reação dos carros da Ferrari e do bom desempenho de Massa e Alonso com os pneus duros. Mas não dá. O GP da Alemanha acabou se transformando em uma daquelas páginas negras na história da Fórmula 1, assim como o GP da Áustria de 2002 (quando Barrichello recebeu ordens para deixar Schumacher passar na reta de chegada). Infelizmente, mais uma corrida da categoria foi decidida na canetada. Ou melhor, pelo rádio. Pensei que isso tinha acabado, não que eu acredite em pai pai noel, mas não espera ver isso novamente, são apenas 5 pontos, que diferença vale isso, levando a credibilidade de um esporte tão interessante de assistir a zero. E não dá para salvar ninguém nesta decisão: equipe, pilotos e comissários são culpados. Um absurdo em Hockenheim.

Desta vez, toda a atitude da Ferrari foi acintosa. Como a partir desta corrida todas as comunicações por rádio estavam liberadas para a transmissão oficial, as conversas da equipe italiana foram exibidas sem censura para todo o mundo. Alonso foi o primeiro a ser exposto na TV. Como Massa estava na ponta e tinha dificuldades para aquecer os pneus duros, o espanhol tentava a ultrapassagem, mas o brasileiro defendia com ímpeto. Ele reclamou com seu engenheiro nos boxes e chamou a atitude de “ridícula”. Após esta pressão, Massa conseguiu abrir uma boa vantagem. A partir da 40ª volta, o bicampeão voltou a se aproximar da outra Ferrari.

Então começou a segunda parte da novela do rádio. Falando pausadamente, Rob Smedley, engenheiro de Massa, informou que Alonso estava mais rápido e pediu que o brasileiro confirmasse o entendimento da mensagem. Na 49ª volta, o brasileiro quase parou seu carro na pista para que o bicampeão o ultrapassasse. Relegado à segunda posição, Felipe chegou a receber um pedido de desculpas de Rob Smedley.

Com o problema “resolvido”, a Ferrari conseguiu sua segunda dobradinha da temporada 2010, mas o incidente seria investigado pelos comissários. Uma hora e meia depois, eles anunciaram uma rídícula punição de US$ 100 mil (cerca de R$ 178 mil), mas o caso ainda será levado ao Conselho Mundial da FIA. Para mim, ficou muito barato. Era caso para, no mínimo, desclassificar os dois pilotos e aplicar uma punição maior para a equipe, como uma suspensão ou até mesmo uma multa milionária, que realmente fizesse diferença no bolso ferrarista.

Como já disse, não dá para isentar ninguém neste caso. Massa, obrigado a ceder a posição para Alonso, também tem sua parcela. Primeiro, ele obedeceu a ordem do time e não reclamou nas entrevistas pós-corrida. Depois, o brasileiro, indiretamente, acabou ficando preso na própria “armadilha”. O desempenho dele não é dos melhores neste ano (entre azares e problemas na adaptação ao carro) e a Ferrari só resolveu favorecer o espanhol porque a diferença entre ambos era muito grande no campeonato. Depois, esta atitude, por mais que ele negue a ordem, contraria tudo o que ele disse desde a chegada de Alonso no time: de que não seria o segundo piloto. Após Hockenheim, Massa assume oficialmente a posição de escudeiro do espanhol em 2010.

A Ferrari e Alonso, sem dúvidas, são os maiores culpados neste caso. A equipe parecia ter abandonado a postura de privilegiar um piloto, apenas adotando-a em casos extremos, como uma decisão de título. Mas este está longe de ser um exemplo disso. A decisão foi precipitada e depõe muito contra a imagem do time italiano. Já Alonso adotou uma postura completamente errada nesta corrida. Ao reclamar que Massa estava bloqueando seu caminho, ele perdeu completamente a razão. Para piorar, depois da corrida, comemorou como se nada tivesse acontecido. Não é uma postura que se espera de um piloto duas vezes campeão do mundo na F-1.

E ainda tem o seguinte: depois do GP da Europa, em Valência, a Ferrari e Alonso reclamaram de manipulação na corrida após a demora em punir Lewis Hamilton. O que dizer disso agora? Não foi manipulação? Mas agora a equipe italiana foi a responsável e a beneficiada pela armação. Cadê as declarações infladas do espanhol? Luca di Montezemolo e Stefano Domenicali irão reclamar? É claro que não.

Para encerrar, não acredito em punição esportiva na reunião do Conselho Mundial, que ainda não tem data para acontecer. Acho que o valor da multa será aumentado sim, até porque o atual parece uma piada sem graça. Defendo a desclassificação de ambos os pilotos, mas conheço a politicagem que envolve as decisões da FIA. Com o argumento de não “prejudicarem o campeonato”, a Ferrari escapará ilesa. É o que sempre acontece. Aliás, quem é o presidente da FIA mesmo? Jean Todt. Acho que vocês entenderam a mensagem…

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