sexta-feira, 9 de julho de 2010

LeBron James se une a Wade e Bosh para formar um supertime em Miami



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Wade e LeBron em cena que não se repetirá: agora eles são colegas de time (Foto: Getty Images)

O suspense chegou ao fim, e um supertime está formado na NBA. LeBron James anunciou nesta quinta-feira que vai se juntar a Dwyane Wade e Chris Bosh no Miami Heat na próxima temporada. Após sete anos defendendo o Cleveland Cavaliers, sem ganhar nenhum título, o craque ganhou passe livre e decidiu testar o mercado. Não brincou em serviço. Durante um programa especial exibido pela TV americana ao vivo para todo o país, ele pôs fim ao mistério que atormentava fãs de basquete em todo o mundo e tornou pública sua decisão.

- Não posso dizer que isso sempre esteve em meus planos, porque eu nunca pensei que fosse possível. Mas com as coisas que o Miami fez, liberando espaço na folha de pagamento para para ter os três jogadores, ficou difícil recusar. Wade e Bosh são grandes atletas, dois dos melhores que o basquete tem hoje - afirmou LeBron, durante um programa de uma hora na TV americana, criado especialmente para o anúncio na noite de quinta-feira, ao vivo, em rede nacional.

Aos 25 anos, LeBron vai jogar ao lado do amigo Wade, que também poderia ter trocado de time, mas optou por renovar com o Miami. Dwyane já foi campeão pelo Heat, em 2006, e agora pode ajudar James a levantar sua primeira taça. A dupla terá a ajuda do ala-pivô Bosh, outro astro da turma do Draft de 2003.

A negociação que leva LeBron para a Flórida é considerada uma das mais importantes da história da NBA. Ele e Wade são superastros da liga e estão no auge da forma. O caso reedita duplas antológicas como a do Los Angeles Lakers dos anos 80, que tinha Magic Johnson e Kareem Abdul-Jabbar – este último já na fase final da carreira.

Seis vezes campeão nos anos 90, Michael Jordan jogava ao lado de Scottie Pippen, que está entre os maiores da história. Pippen, no entanto, não tinha em sua época o mesmo peso para o Chicago Bulls que LeBron tinha para os Cavs ou Wade tem para o Heat.

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Os craques juntos no All-Star Game: agora eles tentarão levar o Miami de volta ao topo (Foto: Getty Images)

Se tivesse optado por ficar em Cleveland, LeBron encheria ainda mais o seu cofre. Pelas regras de teto salarial da NBA, o craque poderia renovar por US$ 128 milhões em seis anos. Com o Miami, o contrato será de cinco anos, no valor de US$ 99 milhões.

Nunca uma pré-temporada da NBA gerou tanta expectativa. Tirando Kobe Bryant, que estendeu seu contrato com o Los Angeles Lakers, quase todos os outros astros da liga tinham passe livre e a possibilidade de trocar de time. Além de LeBron, Wade e Bosh, Amare Stoudemire deixou o Phoenix Suns e foi para o New York Knicks. Carlos Boozer trocou o Utah Jazz pelo Chicago Bulls. Dirk Nowitzki e Joe Johnson optaram por continuar em Dallas e Atlanta, respectivamente.

Opinião do blogueiro: por Thiago Alves do Rebote.org na íntegra

Existe na NBA uma estrada que leva ao Olimpo, um clube com pouquíssimos sócios. Estão lá Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird, Bill Russell, Wilt Chamberlain, Kareem Abdul-Jabbar… e não vamos muito além disso. Kobe Bryant e LeBron James, os dois maiores astros do basquete mundial em atividade, caminham nesta estrada. Mas há uma diferença entre eles. Kobe já tem a carteirinha para o clube. James pode ter rasgado a sua nesta quinta-feira.

Prometo que esta foi a primeira e única comparação entre os dois neste texto. Vamos falar aqui de LeBron, certo? Mas voltando à estrada: ao longo do percurso, é preciso, entre outras coisas, jogar muita bola e conquistar títulos. Antes que alguém venha com o famoso "até o Scalabrine tem título", não estou falando apenas de colocar um anel no dedo, e sim de ser campeão como protagonista, como ator principal, como um verdadeiro líder dentro do time. Como já foram Jordan, Magic, Bird, Wilt, Kareem, Russell e Kobe.

>>> A escolha de James tende a diminuir seu status na perspectiva histórica do basquete, ainda que ele levante suas taças e seja feliz

LeBron ainda não foi campeão. Talvez seja agora, e talvez seja até várias vezes seguidas. Mas vamos imaginar os dois cenários:

1) Sem título
O Miami passa o rodo na temporada regular, avança galopante nos playoffs... e leva uma carimbada dos Lakers na final. Nem preciso dizer o tamanho do rótulo de fracasso que vai envolver a Flórida, né. Qualquer coisa que não seja uma taça será vista como vexame.

2) Com título
Wade ficará feliz, Bosh ficará feliz, Pat Riley ficará feliz, o torcedor, então, ficará com a mandíbula dormente de tanto sorrir. LeBron também vai estourar de felicidade se conquistar o caneco. O que seria muito legal, sinceramente. Mas seria o bastante para recuperar a carteirinha e seguir na estrada rumo ao tal clube seleto?

Provavelmente não. Qualquer título de James nestas condições teria um asterisco ao lado, lembrando que ele só conseguiu na companhia de outro superastro (nem vou falar de Bosh aqui), e ainda mais um superastro que é o dono do time há sete anos, que já tinha sido campeão antes, que é ídolo incondicional em Miami.

Como espectador, adorei a decisão. Jornalista vibra com grandes histórias, e esta não podia ser mais sensacional. Vou assinar o League Pass de novo e tentar ver todos os jogos do Heat ao vivo, de cabo a rabo, curtindo e torcendo para dar certo. Só acho que, se por um lado a escolha de James pode até ser encarada como um exemplo de humildade, por outro tende a diminuir seu status na perspectiva histórica. Ainda que ele levante suas taças e seja feliz, Wade, o dono do quintal, estará ali. E só título por título, vocês sabem, até o Scalabrine tem.



Após sete anos sem conseguir levar os Cavs ao topo (não por culpa exclusiva dele, claro), LeBron incinerou sua relação com a cidade de Cleveland. Até aí, é do jogo. Mas em vez de buscar um desafio de verdade, capaz de elevar ainda mais sua reputação, ele optou pelo caminho fácil do time All-Star. Infelizmente, o rei se acovardou.

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