terça-feira, 21 de setembro de 2010

IFA 2010: Imagens 3D chegam ao cotidiano

por Ethevaldo Siqueira, de Berlim

A TV e o cinema tridimensionais chegaram para ficar. Embora haja desafios a superar, o futuro das imagens 3D de alta definição parece não ter mais volta. Esse foi o ponto central da IFA 2010, em sua edição número 50, maior evento de eletrônica de entretenimento do mundo, realizado de 3 a 8 deste mês em Berlim. Entre as personalidades presentes à abertura, a primeira ministra alemã, Angela Merkel.

Mais do que outras grandes exposições, a IFA mostrou as principais tendências para os próximos cinco anos em áudio, vídeo, home theater, videogames, celulares inteligentes, e-books e milhares de aplicativos que fazem coisas inimagináveis para facilitar nossa vida.

Assim, por exemplo, além da nova imagem eletrônica 3D na TV e no cinema, a IFA antecipa o impacto da TV conectada, que resulta da fusão inevitável e crescente entre a internet e o televisor doméstico. Apresenta produtos revolucionários para nossa cozinha, como uma frigideira elétrica que não usa óleo nem água, mas apenas ar quente, para fritar batatas.

Entre as celebridades convidadas para falar debater essas tendências, na eletrônica e nas comunicações, a IFA 2010 apresentou palestrantes tão prestigiados como Eric Schmidt (a esquerda) presidente executivo (CEO) do Google, e Bryan Burns (à direita), da cadeia ESPN, a primeira a transmitir regularmente TV 3D via satélite para seus assinantes em todo o mundo.

O novo mundo 3D

Nenhum grande avanço tecnológico nas últimas décadas despertou tanto interesse do público nem teve tantos lançamentos e opções de produtos como ocorreu com a TV 3D, a televisão de imagens tridimensionais, na IFA 2010, de Berlim.

A maioria dos especialistas acredita que estamos diante de uma inovação que veio para ficar. E mais: esse mundo 3D irá muito além da TV e do cinema. Certamente vai revolucionar todas as imagens nas telas de monitores que utilizamos hoje, nos computadores, na fotografia, nos tablets, nos celulares e em outros equipamentos eletrônicos.

“Estamos diante de uma mudança real de paradigmas. Esse novo mundo das comunicações visuais, no entanto, só chegará ao maior número possível de lares quando englobar integralmente a cadeia de valores da imagem tridimensional”, argumenta o especialista Akira Shimazu, diretor de 3D da Sony japonesa.

Para a maioria dos especialistas, é preciso pensar não apenas em televisores 3D, mas em toda a longa série de produtos e tecnologias que poderão utilizar com vantagem as imagens tridimensionais, aí incluídos o cinema, os videogames, o Blu-ray disc, o home theater, os projetores de alta definição (HD), os videogames, as câmeras filmadoras de uso pessoal e doméstico HD e 3D, a fotografia ou still picture 3D, os notebooks e desktops com monitores 3D.

Na visão de consultorias especializadas, estamos apenas no começo de uma revolução tecnológica, que já pode ser percebida com toda a força na TV e no cinema 3D, mas que irá muito além. O primeiro desafio para a consolidação do que pode ser chamado também de mundo 3D, ou seja, da imagem eletrônica tridimensional, é a existência de conteúdo abundante e variado, de boa qualidade, tanto pré-gravado como em transmissões ao vivo, via TV aberta (broadcasting) ou por assinatura.

A transmissão de TV 3D com sinal aberto já é uma realidade. Os melhores testes foram feitos na Copa da África do Sul, neste ano, num trabalho conjunto de indústrias e redes de TV. O interesse e a reação dos espectadores nessas demonstrações públicas tem sido animador. As grandes cadeias de TV, como a ESPN Internacional e a Sky europeia, estão convencidas de que um dos filões da TV 3D será, portanto, a transmissão ao vivo de eventos esportivos de maior interesse, como campeonatos nacionais e internacionais dos principais esportes, como Copa do Mundo de Futebol ou as Olimpíadas, além de shows musicais e festas populares, como o carnaval brasileiro.

Do mesmo modo que as cores chegaram há 40 anos a todas as telas de vídeo, as imagens 3D deverão chegar, num horizonte de três a cinco anos, a todo o universo visual do entretenimento. Nossas casas serão dotadas, progressivamente, dos equipamentos que nos permitirão usufruir todo o potencial desse novo mundo 3D.

Por que 3D é o futuro?

A maioria dos especialistas e da indústria não tem dúvida sobre o sucesso da imagem tridimensional. Em primeiro lugar porque a tecnologia já tem condições de reprodução das características que vemos ao nosso redor em nosso dia a dia: “É preciso reproduzir a realidade, com suas imagens coloridas, em alta definição e em três dimensões”.


A ideia básica é que toda imagem eletrônica deve aproximar-se ao máximo das imagens do mundo que nos cerca, com as mesmas cores, nitidez e tridimensionalidade. Para viabilizar essa proposta, a tecnologia digital oferece as ferramentas básicas, a começar da digitalização dos sinais da TV.

Outro fator que viabiliza a tridimensionalidade é o avanço ininterrupto da tecnologia das telas ou monitores. E não se trata apenas de telas para a televisão, mas para computadores desktops, notebooks, netbooks, tablets (como o iPad ou o Kindle) e mesmo os porta-retratos digitais (digital photo-frames).


Façamos um pequeno retrospecto da tecnologia dos monitores. Na primeira demonstração de televisão feita pela BBC, em Londres, em 1930, as imagens na tela do aparelho eram formadas por apenas 12 linhas. Hoje, na TV digital de alta definição, as imagens têm 1.080 linhas de 1.920 pixels.

Durante os últimos 40 anos prevaleceu a tecnologia dos volumosos cinescópios de raios catódicos (CRT, de Cathode Ray Tube), hoje em fase de extinção acelerada. Desde os anos 1970, duas novas tecnologias passaram a disputar a atenção e a preferência da indústria para a fabricação de telas planas: plasma e cristal líquido (LCD, de Liquid Crystal Display).

Nos últimos anos, entretanto, as telas de LCD têm evoluído muito mais do que as de plasma. Os displays de plasma só superam os de LCD, ainda, na intensidade do chamado negro profundo; mesmo assim, as pessoas não parecem muito preocupadas com esse ponto.

Mesmo com toda evolução dos monitores de plasma, o cristal líquido apresenta nítidas vantagens, não apenas na imagem, mas também no consumo de energia muito menor. Quanto à percepção visual, os modernos monitores de LCD mostram detalhes de imagem muito mais precisos e delicados, e já superam um problema antigo que eram as cores lavadas, desbotadas, com menor contraste.

Tudo isso é resultado de uma evolução extraordinária dos monitores de LCD nos últimos cinco anos. O maior salto foi a iluminação com diodos emissores de luz (LED na sigla inglesa,de Light Emitting Diode), que iluminam lateralmente as telas, produzindo imagens com maior brilho, contraste e nitidez. E ainda economizam mais de 40% da energia em comparação com a que é consumida pelos monitores convencionais de plasma.

Além de incorporar as vantagens da tecnologia do LED, os monitores modernos de cristal líquido passam agora a ser fabricados por uma nova técnica, que não mais alinha as moléculas do cristal líquido na posição vertical, mas na posição horizontal, num processo denominado In Plane Switching (ou IPS), que significa conexão ou comutação horizontal.

O novo monitor resultante desse processo combina, na realidade, três tecnologias, e poderia ser chamado de LCD-LED-IPS. Por isso, a Apple adotou esse tipo de tela no iPad. Além de permitir telas mais finas e mais sensíveis ao toque, a tecnologia IPS também assegura tempo de resposta muito menor, visão nítida de qualquer ângulo lateral, maior contraste, cores mais vivas e consumo de energia até 50% menor. E quando passamos o dedo sobre essas telas de LCD-IPS, mesmo fazendo pressão sobre o vidro, não fica nenhuma marca, como ocorre nas telas convencionais de cristal líquido.

Essa tecnologia ainda permite a fabricação dos televisores super delgados, com até 4 milímetros de espessura. Com isso, os televisores puderam transformar-se numa única peça, embutindo todos os componentes na moldura. A TV virou, enfim, um quadro na parede, como previam os artigos futurológicos nos anos 1980.

É provável que na próxima Copa do Mundo, no Brasil, em 2014, tenhamos televisores com uma nova tela, mais avançada do que tudo de que dispomos hoje. Serão as telas de LED orgânico (cuja sigla é OLED, de Organic Light Emitting Diode)(f). Elas são formadas por uma camada de material orgânico ensanduichada entre dois condutores (polo positivo e polo negativo), que, por sua vez, está montada entre duas placas de vidro, uma exterior e outra de fundo. Quando a corrente elétrica é aplicada aos dois condutores, uma luz brilhante, eletroluminescente, é produzida diretamente do material orgânico.

Além da qualidade superior da imagem, os monitores de OLED têm a grande vantagem de dispensar a luz de fundo (backlight). Criada pela Kodak em 1980, a tecnologia de LED orgânico vem sendo aprimorada continuamente pelas maiores indústrias de eletrônica de entretenimento do mundo. A maior barreira à sua adoção ainda são os custos de produção industrial dos displays de maiores dimensões.

Para aplicações em telas menores – como as de celulares, iPads, iPods e e-readers em geral – a tecnologia OLED já é competitiva e começa a ser utilizada. Para as telas maiores, dos televisores, os preços ainda são elevados, embora estejam caindo continuamente. Há dois anos, a Sony começou a vender os primeiros televisores com tela de OLED, mas de apenas 11 polegadas de diagonal, por US$ 2.500. Hoje já se produzem displays maiores, de até 31 polegadas, com excelente imagem e baixo consumo de energia, mas ainda caros. Segundo especialistas, é provável que, em três ou quatro anos, a indústria venha a oferecer monitores de 42 polegadas ou ainda maiores, por preços competitivos.

Todo esse arsenal tecnológico torna praticamente irreversível a trajetória de sucesso das imagens 3D, pois a tecnologia alcançou um ponto sem retorno. Seu futuro está praticamente definido e não apenas mudará nosso entretenimento, com certeza, mas terá aplicações em educação, medicina e centenas de outros setores.

Imaginemos o salto de qualidade dos projetos apoiados em computadores (CAD, de Computer-Aided Design), os estudos e trabalhos em astronomia, geologia, geometria, projetos arquitetônicos, representações de estruturas de células ou moléculas e gráficos computadorizados (computer graphics), sistemas de visualização 3D para cirurgia computadorizada ou robotizada.

Nos casos experimentais já conhecidos, o uso de imagens tridimensionais assegura muito mais precisão a certos tipos de microcirurgia ou mesmo a diagnósticos com tomografia computadorizada, ultrassonografia, ressonância magnética e, talvez, novas gerações de radiografia.

A grande corrida

Todas as estratégias possíveis de popularização das imagens 3D estão sendo pensadas e começam a ser postas em prática. Do lado industrial, o domínio da tecnologia de imagens 3D está deflagrando uma das maiores corridas entre corporações como a LG, Sony, Philips, Samsung, Sharp e Panasonic e entre outras, como vimos na IFA 2010. Em breve, entra em cena a indústria chinesa, cujo avanço tecnológico já se aproxima do estágio da maioria de suas concorrentes mundiais.


A Sony considera-se em posição privilegiada por dispor praticamente de todos os conteúdos, distribuição e displays. A empresa tem filmes da Sony Pictures, toca-discos Blu-ray 3D, televisores, home theaters, os notebooks Vaio com monitor em 3D e, a partir de outubro, o console de games Play Station 3 (PS-3), que vai reproduzir até os novos discos Blu-ray 3D. E vale lembrar que a Sony já tem uma base instalada de 38 milhões de PS-3 vendidos em todo o mundo.

Os que apostam no cinema digital 3D usam alguns números significativos para mostrar o tamanho desse mercado nos próximos anos. Em 2009, o mundo tinha 7 mil salas ou telas de cinema 3D. No final de 2010, esse número chegará a 12 mil. Em 2013, existirão cerca de 15 mil.

As primeiras demonstrações de transmissões de TV aberta em 3D (broadcasting 3D) foram feitas em abril passado em Las Vegas, no NAB Show, pela Sony. Em seguida, na Copa da África do Sul, pelo menos três cadeias de TV, entre as quais a ESPN e a NHK do Japão, fizeram transmissões experimentais. O canal ESPN já transmite regularmente em 3D. De lá para cá, canais como o Discovery e Animal Planet já preparam dezenas de conteúdos com o novo realismo das imagens tridimensionais.

O cinema IMAX 3D deverá abrir novas possibilidades de entretenimento e produções de alto nível, como no caso do mais espetacular dos documentários já feitos na área de astronomia: um filme de 40 minutos produzido em pleno espaço cósmico, a bordo do telescópio espacial Hubble , com a tecnologia de cinema digital 3D IMAX.

O impacto desse filme sobre o espaço cósmico é incrível. Temos sensação de estar no próprio Hubble, a quase 600 quilômetros de altura sobre a Terra, com imagens tridimensionais das mais belas e estranhas galáxias, quasars, aglomerados de milhares de estrelas e corpos celestes que jamais pensaríamos poder ver em cores vivas e projetadas numa tela esférica como a dos planetários.


Um dos maiores desafios de longo prazo é a difusão dos televisores 3D e dos cinemas. Para viabilizar as transmissões abertas regulares em 3D, é preciso que a penetração seja de alguns milhões de televisores, em cada país.

Hollywood produzirá neste ano cerca de 150 filmes em 3D. Em paralelo, mais de uma centena de filmes de boa qualidade, que foram produzidos originalmente em duas dimensões, serão adaptados para 3D, uma técnica que ainda não se equipara em qualidade aos originais produzidos com captação tridimensional, mas que talvez seja aceita pelo mercado. A Samsung e outros fabricantes já dispõem de televisores que conseguem simular imagens 3D ao reproduzir originais produzidos em 2D.

A IFA 2010 mostrou as primeiras câmeras fotográficas 3D, para projeção em televisores também 3D, entre as quais a da Samsung. A coreana LG lançou a primeira filmadora de uso pessoal ou doméstica (camcorder) em HD e 3D. A Sony promete a sua para 2011.

Obstáculos a superar

Nem tudo é sucesso em 3D. Muitas pessoas têm queixas da TV ou do cinema tridimensionais. Pesquisas internacionais mostram que 15% das pessoas que assistem por mais de meia hora a programas TV, filmes ou mesmo videojogos 3D se queixam de mal-estar, tontura ou dor no globo ocular.


A imagem 3D é uma ilusão de óptica, como ocorre com o cinema e a TV. Para melhor compreender os problemas do cinema ou da TV 3D, é essencial relembrar que a percepção de imagens tridimensionais, ou estereoscopia, por nosso cérebro resulta da superposição das imagens recebidas por cada olho. Como cada uma dessas imagens tem um pequeno deslocamento causado por seus diferentes pontos de origem, nosso cérebro as superpõe, dando-nos a percepção tridimensional. O deslocamento das imagens denomina-se paralaxe.

Por isso, as câmeras de filmagem têm duas objetivas. A distância entre o centro de cada uma delas deve ser a mais próxima possível da distância entre o centro de cada uma de nossas pupilas, que é de 6,4 centímetros, em sua média mundial. Se as câmeras de filmagem ou captação das imagens 3D não tiveram distâncias próximas dessa média, o espectador reagirá com a sensação de desconforto. Qualquer discrepância maior do que 10% dessa distância, seja na câmera de captação seja nos olhos do espectador, pode causar o mal-estar denunciado por muitas pessoas.

Na opinião dos especialistas, esses problemas têm correção, tanto na fase de captação como na de produção de melhores conteúdos, ou podem ainda ser ajustadas por óculos especiais hi-tec.

Outra queixa dos espectadores é a sensação de artificialismo quando os efeitos tridimensionais são exagerados, para provocar reações mais fortes do usuário. Isso é aceitável nos videogames, em que os monstros dão a sensação de saltar sobre nossas cabeças. Ou que um animal ou inimigo vem em nossa direção e nos dá a sensação perfeita de que está saindo da tela.

O importante é que as causas dessas reações começam a ser detectadas e corrigidas. A indústria, na verdade, ainda está aprendendo quase tudo sobre estereoscopia. A feira de Berlim mostrou até a necessidade de treinamento especial dos cameramen para a captação correta das imagens 3D.

TV 3D sem óculos em 2015

Muita gente reclama do uso obrigatório de óculos especiais para ver TV ou cinema 3D. Embora não sejam mais aqueles óculos primitivos de plástico azul e vermelho, e, sim, dispositivos hi-tech, com efeitos de polarização da luz, controle de foco e de contraste, esses acessórios ainda geram muita queixa e, em alguns casos, causam desconforto aos espectadores.


A boa notícia é que, num horizonte de cinco anos, a maioria dos televisores 3D dispensará o uso de óculos. O mesmo deverá ocorrer com o cinema. Para que isso aconteça, é preciso que a tecnologia ainda se desenvolva um pouco mais, para aprimorar os padrões de alta definição em 3D, e que se estabeleçam padrões mundiais de tecnologia. Hoje há pelo menos cinco padrões incompatíveis. Não é fácil convencer as indústrias e Hollywood a adotarem um padrão único, principalmente depois de elevados investimentos em padrões diferentes.

Recordes e história

Com 135 mil metros quadrados e 1.423 expositores, em sua edição número 50, a IFA 2010 bateu todos os recordes. Foi visitada por 235 mil pessoas, 125 mil das quais profissionais das áreas de eletrônica de entretenimento, telecomunicações e eletrodomésticos, e gerou vendas imediatas de 3,5 bilhões de euros.


Quando a feira nasceu, em 1924, o rádio tinha apenas quatro anos de existência. Seu nome vem da abreviatura do alemão de Internationale Funkausstellung, que quer dizer Exposição Internacional de Radiodifusão. É a mais antiga e, desde o ano passado, a maior feira de eletrônica de entretenimento e eletrodomésticos do mundo.

O keynote speaker convidado para abrir a IFA 1930 foi ninguém menos do que Albert Einstein (f), um apaixonado pelo rádio, a tecnologia de comunicações mais recente daqueles tempos. Eis um trecho do discurso do grande gênio da física sobre o poder do rádio:

“Quando você ouvir rádio, pense também no significado de tantas pessoas possuírem um instrumento de comunicação tão maravilhoso quanto esse. Lembre-se ainda que são engenheiros aqueles que tornam possível a verdadeira democracia, ao colocar as obras do pensamento humano ao alcance de todos nós e, assim, despertar as nações de sua letargia. O rádio tem uma tarefa especial a cumprir, no tocante à reconciliação internacional. Ele revela as nações umas às outras, da forma mais viva. Assim, pode contribuir para o fim de ressentimentos e distanciamentos que tão frequentemente se transformam em desconfiança e hostilidade”.

Pena que os anos posteriores não concretizaram os sonhos de Einstein.

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