
(Postado no Blog Praças da PMERJ - http://pracasdapmerj.blogspot.com)
Rápido resumo do acontecido: após o assassinato de mais um Policial no RJ, foi realizada uma operação para que se prendesse os marginais que cometeram o crime.
Um dia após ter o seu companheiro morto em seus braços, o CB Bruno participou da operação e supostamente teria agredido um "pobre" coitado de um garotinho indefeso de 14 anos que foi "covardemente" esbofetado pelon maléfico CB Bruno, garotinho este que provavelmente não tem associação nenhuma com o tráfico da região, nunca portou uma arma e nem ameaçou neunhum pai de família, sinceramente socorro, a Policia Mlitar do Estado do Rio de Janeiro acabou.
Quem é policial militar e passou nas bancas de jornal hoje e deu uma olhada nas manchetes, teve sua atenção voltada para a foto do Cel. Lopes com a chamada em letras garrafais: “Coronel dá exemplo para toda a PM”. Para quem não comprou o jornal e não está a par dos fatos essa manchete se deu devido a uma operação da PM em que o objetivo era dar uma resposta ao tráfico de drogas da comunidade do Gogó da Ema pela morte do Cabo Maia, onde o cabo Bruno teria agredido um adolescente de 14 anos e o Lopes, após o fato, deu voz de prisão ao cabo (aos berros no meio da rua), fazendo com que o cabo entregasse suas armas a outro oficial, tudo sob os olhares dos favelados daquela região, inclusive os traficantes que, como bem sabemos, não usam uniformes e sem armas nas mãos podem misturam-se a população e sumir, como se fossem qualquer um, podendo até mesmo um deles ser esse menor. O “Show do Lopes” não parou por aí, após ter passado por cima do estatuto da PMERJ e de tudo que o militarismo representa chamando a atenção de um cabo na frente de seus subordinados (soldados), ainda colocou toda a tropa em forma no meio da rua para lavar a roupa suja, na frente da população e de toda a mídia.
Claro que estamos em outra época, a época da polícia legal e temos que saber que somos comandados não por iguais, não som os policiais civis, somos comandados por oficiais. O cabo errou se realmente agrediu esse adolescente de 14 anos? Claro que sim. Não se pode tratar ninguém como foi retratado no filme “Tropa de Elite”, dando tapas na cara, sufocando com sacos plásticos, etc. Isso é coisa que deixamos com o cap. Pimentel ou Nascimento, em seu filme ou para o BOPE. Agora temos que pensar também se realmente o cabo agrediu o adolescente, porque é a palavra do adolescente contra a do policial e sabemos bem, na visão do Lopes, quem sempre está certo. O próprio Lopes, depois de seu “Show” em entrevista ao jornal Extra, ao ser perguntado por que o cabo agrediu o adolescente, respondeu que: “- Ele quis falar, mas eu não deixei...”.
Agora vejamos o que disse, na íntegra, o comandante do cabo, Cel. José Luiz Nepomuceno Marinho:
“-Tem que ter cautela. Não houve flagrante e qualquer um pode falar o que bem entender. Meu batalhão (39º BPM) está traumatizado. O Bruno socorreu o companheiro que levou um tiro na cabeça, os meninos (policiais) estão chocados”.
Agora me digam com sinceridade: que estrutura psicológica teria esse cabo para estar presente em operação de “caça” aos assassinos de seu companheiro apenas um dia após o enterro? Podemos julgar a atitude desse cabo? Qual o apoio e o suporte psicológicos foram dados ao policial pela PMERJ? Qual preocupação o Cel. Lopes teve com o nível de estresse da tropa que ele comandava ali dentro da comunidade?
Na minha visão o Lopes, esse “showman” que conhecemos tão bem, só está querendo aparecer e com isso tentando esticar sua sobrevida na corporação, pois já tem 35 anos de serviço e sabe que se perder o comando “coloca o pijama” e, por isso, usa a tropa e qualquer falha, por menor que seja, como seu bote salva vidas, mesmo que isso custe a sanidade e o futuro dos homens.
Meus companheiros, temos que ter cuidado, não podemos esquecer de nossa condição tão frágil dentro dessa corporação, qualquer deslize, qualquer engano ou qualquer atitude tomada sem antes ser pensada e repensada pode nos custar o emprego, não podemos, nunca, nessa PMERJ de hoje tomar um oficial como exemplo e fazer o que ele faz, ele tem “imunidade”, o Lopes que tem um filho traficante que foi preso pela PM, se diz honesto, íntegro e honrado, mas por todos os batalhões operacionais por onde ele passou nenhum de seus oficiais parou de roubar ou de extorquir policiais, então companheiros, vamos nos policiar a respeito de nossa conduta e, principalmente, fazer só o estritamente necessário, previsto em regulamento, lembrem-se que: “Quem não é visto não é lembrado”, “burro bom, carga nele” e principalmente, “quem não trabalha não erra e quem não erra não é punido”.
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