Felipe França tem fama de ser um dos nadadores mais reservados da seleção brasileira. Mas, nesta quarta-feira, o nadador de Suzano-SP teve de deixar a timidez de lado. Ao subir ao pódio, após a conquista da medalha de prata nos 50m peito, no Mundial de Esportes Aquáticos, em Roma, Felipe caiu de joelhos aos prantos, protagonizando uma das cenas mais emocionantes da competição até agora. Na entrevista após a prova, mais calmo, ele falou sobre a conquista, o nervosismo antes da prova e a parceria com o técnico.

Felipe França não aguenta a emoção após conquistar a medalha de prata nos 50m peito, em Roma
Conquista
Estou muito feliz por essa medalha. Quero agradecer a Jesus e ao Ari (Soares, técnico). Estou abalado ainda, vocês viram no pódio. Tem alguma coisa dentro de mim que está me segurando. Daqui a pouco, vou começar a chorar de novo.
Pódio
Foi parecido com a vaga das Olimpíadas. Domingo de manhã, que foi concretizada a vaga, eu também ajoelhei e cai. Não foi porque quis. Estou com o joelho doendo aqui. Eu coloquei a mão no cara porque eu pensei que ia cair pro lado. Foi uma sensação de alívio e conforto.
Caminho até a medalha
Eu estava confiante no treinamento do Ari e, o mais importante, estava confiante em mim mesmo. O primeiro passo foi a conquista da vaga para Olimpíadas e agora a medalha de prata no primeiro ano do ciclo olímpico. Então, eu acho que os próximos Jogos serão muito bons.
Concentração
Eu e Ari trabalhamos muito com a energia. Se eu ficasse brincando, eu ia desperdiçar energia que eu tenho para gastar dentro d’água. A gente vem trabalhando bastante nisso. Eu não tiro o fone do ouvido em momento nenhum. É um trabalho para conseguir a maior concentração possível. Mantendo a concentração, sai a prova perfeita.
Cielo
Com Cielo, que tenho mais intimidade, eu brinco muito, parecemos irmãos. É muito legal. Mas, com quem eu não tenho muita intimidade, sou mais fechadão mesmo, na minha. Isso é da minha personalidade.
Nervosismo antes das semifinais Dez minutos antes da semifinal, eu já estava no balizamento, aí eu vi o Ari. Conversei com ele e isso me acalmou. Antes disso, estava nervoso por que sentia que era grande o fardo de conseguir a medalha de ouro ou de bater o recorde de novo. Mas isso vem sempre de mim. Eu sempre fui assim, desde a minha primeira prova de infantil. Eu ficava preocupado, falava com a minha mãe, e ela me acalmava. Aí eu ficava mais tranquilo e ganhava.
Ele falou que a medalha já era minha, que não era para eu me preocupar. Disse para eu passar pela semifinal, dar o melhor de mim, não lembrar que eu tinha passado mal e ganhar.
Eu era o mais tranquilo do balizamento. Eu fiz tudo certo, me concentrei, mantive a cabeça no lugar, comi na hora certa, fui ao banheiro na hora certa, fiz tudo certo. Então, veio a consequência.

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