quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Dino De Laurentiis (1919 – 2010)

O lendário produtor italiano Dino De Laurentiis morreu nesta quinta-feira (11/11) em Los Angeles, aos 91 anos de idade. De Laurentiis fez história no cinema, ao produzir grandes épicos e filmes de arte, que marcaram gerações de cinéfilos. Foram mais de 500 filmes produzidos ao longo de sua vida.

De Laurentiis começou a carreira junto dos grandes mestres do cinema italiano do pós-Guerra, como Federico Fellini e Roberto Rossellini, ajudando a lançar o estilo hoje conhecido como neo-realismo. Mas sua obra ultrapassou as fronteiras de seu país.

Dino De Laurentiis no set de King Kong (1976)

Foram, ao todo, 59 prêmios internacionais. Ele ganhou dois Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, como produtor de “A Estrada da Vida” (1954) e “Noites de Cabiria” (1957), ambos dirigidos por Fellini. Em 2001, sua obra mereceu o reconhecimento da Academia, que lhe deu o prêmio Irving G. Thalberg Memorial. Em 2003, foi a vez do Festival de Veneza conceder-lhe um Prêmio pela Carreira.

Dino De Laurentiis começou a carreira como ator. Participou de sete filmes pouco memoráveis na Itália até encontrar sua vocação como produtor em 1941. O estúdio que leva seu nome foi fundado em 1947 e existe até hoje, gerido por seus filhos.

Arroz Amargo (1949), de Giuseppe De Santis com Silvana Mangano

Em 1949, casou-se com a atriz Silvana Mangano, a estrela do filme “Arroz Amargo”, que ele produziu, e um dos ícones de beleza da época. Tiveram quatro filhos e ficaram juntos até 1989, quando a atriz morreu.

Consagrado no Oscar, De Laurentiis mudou-se para os EUA em 1960. Foi quando começou sua fase épica, produzindo filmes como “Barrabás” (1961) e “A Bíblia” (1966), seguida por uma fervilhante fase pop, que rendeu adaptações de quadrinhos cultuadas como “Barbarella” (1968) e “Perigo: Diabolik” (1968), filmes que marcaram época por sua atmosfera estilizada.

Noites de Cabiria (1957), de Federico Fellini com Giulietta Masina

Em seguida, o produtor embarcou no cinema sombrio, criando verdadeiros clássicos americanos de violência e intriga, como “Serpico” (1973), “Desejo de Matar” (1974), “Três Dias do Condor” (1975) e “O Ano do Dragão” (1985).

Após os primeiros dramas de crime, De Laurentiis retomou sua vocação para os épicos, alimentando sua paixão por histórias “coloridas” em adaptações grandiosas de quadrinhos, literatura pulp e sci-fi. Vieram “King Kong” (1976), “Flash Gordon” (1980), “Conan, o Bárbaro” (1982) e “Duna” (1984), as produções mais caras de sua carreira.

Barbarella (1968), de Roger Vadim com Jane Fonda

A década também foi marcada por sucessos de terror, como “The Dead Zone – A Hora da Zona Morta” (1983), “A Hora do Lobisomem” (1985) e “Uma Noite Alucinante 3″ (1992).

Entre seus filmes mais recentes, estão “Corpo em Evidência” (1993), estrelado por Madonna, o primeiro filme do psicopata Hannibal Lecter, “Caçador de Assassinos” (1986), de Michael Mann, além da franquia com o personagem – de “Hannibal” (2001) a “Hannibal – A Origem do Mal” (2007).

Serpico (1973), de Sidney Lumet com Al Pacino

Ele era um produtor “à moda antiga”, que alternava filmes de arte, como “O Ovo da Serpente” (1977), de Ingmar Bergman, com blockbusters grandiloquentes, como os dois Conan estrelados por Arnold Schwarzenegger. Por seu gosto pelos épicos, seu legado é comparável ao do grande mestre Cecil B. DeMille (1881-1959). Vale considerar que o diretor de “Os Dez Mandamentos” (1956) produziu um quinto do que De Laurentiis lançou na vida.

Em sua vigorosa carreira, De Laurentiis patrocinou uma constelação respeitável de cineastas. Em sua filmografia, destacam-se obras de Federico Fellini, Roberto Rossellini, Mario Monicelli, Vittorio De Sica, Mario Bava, Ingmar Bergman, John Huston, Robert Altman, Ken Annakin, Roger Vadim, Richard Fleischer, William Friedkin, Milos Forman, Bob Clark, Sidney Lumet, Michael Cimino, David Cronenberg, David Lynch, Michael Mann, Sam Raimi, Bruce Beresford, Ridley Scott e até Brett Ratner e o escritor Stephen King. Entre os títulos, há os chamados filmes menores, muitas produções comerciais, um punhado de cults, mas também inegáveis obras-primas.

Conan, o Bárbaro (1982), de John Milius com Arnold Schwarzenegger

No ano passado, o Festival de Veneza prestou a última homenagem em vida a De Laurentiis, ao projetar uma cópia restaurada de “A Grande Guerra”, de Mario Monicelli, vencedor do Leão de Ouro em 1959, com a presença ilustre do produtor.

Dino De Laurentiis era casado com Martha De Laurentiis, com quem teve mais duas filhas. O nome da família continua presente na produção de cinema por meio da filha Rafaella e da mulher, que já era um produtora (de filmes de terror) antes do casamento em 1990. Seu sobrinho, Aurelio, também é um produtor de cinema e diretor do time de futebol Napoli.

Hannibal (2001), de Ridley Scott com Anthony Hopkins

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